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Começo, meio, fim, e o mais importante... recomeço!

Quando me disseram que a vida de universitário seria difícil, eu não quis acreditar, imaginei mais que fosse esse tipo de história que os veteranos contam pra por medo nos calouros, como eu, quando diziam todos os contras e os prós de uma universidade pública, em minha mentalidade imatura, pensei que estes últimos não eram suficientemente convincentes para superar os primeiros, mas com o tempo a gente acaba percebendo que um "UF" vale mais que muita coisa, mas esse não é o foco principal (agora).
Pra ser honesto creio que a história deve ser narrada desde o início, pelos menos do início que realmente valha a pena contar... 2008 foi meu último ano na escola, um momento onde se destacam dois tipos de alunos, aqueles que querem aproveitar ao máximo o momento, e aqueles que não vêem a hora de tudo acabar, e eu? como sempre revesava entre as duas vertentes. Em meio a tudo isso um fantasma se aproximava cada vez mais, o vestibular, se bem que pior do que a prova em si era a idéia de escolher uma profissão, que provavelmente seria a de toda uma vida. De início o básico: direito e medicina, o tempo foi passando e as opções iniciais logo foram descartadas, a me aproximava da área de saúde, até que fiquei entre farmácia, fisioterapia e bioquímica, por pressão do colégio tinha que dar uma resposta imediata, farmácia. E foi nessa escolha que eu trilhei cerca de 6 meses, baseado neste curso, ao menos até o momento da inscrição, onde o pavor correu minhas veias, meu coração dilacerado, minha cabeça a mil, mudei para algo que muito anteriormente havia pensando, nutrição, o por que dessa decisão foi uma simples exprassão que havia no documento do curso: Área de Atuação - entre outros... SPA, não vou mentir fiquei alucinado com essa idéia, não de simplesmente trabalhar em um, mas sim de possuir um, seria realmente um sonho.
A segunda fase desta novela se deu com o resultado do vestibular, 09/01/09 (mais conhecido como o dia em que a Terra parou), sentimentos paradoxais, susto, alegria, realização, incerteza, tudo num turbilhão de sentimentos e novidades que surgia neste novo ano, mas isso é assunto pra um outro post. Daí a única coisa que existia no período de 20 dias que separavam o resultado do dia da matrícula foi muita anciedade, da matrícula à calourada, mais anciedade, daí em diante, a impolgação foi tomando conta de mim, aquele mundo diferente, macabro, porém encantador, apresentava um charme que até então era desconhecido para mim, era um universo novo, que eu estava ali para desvedar seus mistérios, ninguém disse que seria fácil, mas me iludi quando subestimei a dificuldade e os obstáculos que estariam por vir...
De início as pessoas pareciam legais, as risadas e os momentos de descontração serviam para destrair-me da ausencia daqueles que a anos estavam comigo, mas mesmo assim eu devia me esforçar pra encontrar algo parecido daquela relação de amizade e companheirismo, mais que isso aquela irmandade, mesmo sabendo que ali tudo seria muito diferente, mesmo sabendo que pelas primeiras impressões provavelmente ali não encontraria o que eu procurava, segui em frente na esperança de que com o tempo eu iria sobreviver sem aquele sentimento, afinal tudo muda, mais uma vez eu estava enganado aquele laço de amizade fazia mais falta do que eu poderia imaginar, e nos momentos dificeis não tinha ninguém para me ajudar, foi assim que forçadamente aos poucos construi um personagem, aparentemente maduro, equilibrado, carismatico, descontraido, inteligente, e com outras qualidades, é no momento não pensei em criar defeitos para meu personagem, afinal ele teria que ser perfeito, uma mácara que se encaixasse perfeitamente em mim sem transparecer minha verdadeira essência.
Os dias passaram e tudo que eu imaginava encontrar para distrair minha mente da ausência, não aparecia, as coisas só pioravam meu estado de desadaptação, aulas monótonas, assuntos chatos, professores sem vida, era só isso que eu via, nada mais, em muitos momentos a idéia de desistir passou por minha cabeça, em intensidades diferentes, é verdade, mas não nego que existiu.
O ápice deste drama ocorreu na semana passada, segunda 16/03/09, foi o dia em que a aderência da máscara falhou e ela caiu, e em um momento de recaída, surtei, aquele mundo não era pra mim, aquilo não era meu, esse não era meu lugar, eu era de outro universo... Na terça o sentimento continuava, não tive coragem de aparecer, minha verdadeira face ainda estava demasiadamente amostra, não iria atirar pedras para cima, sabendo que eu mesmo possuo teto de vidro, foi aí que meu corpo reagiu ao estado debilitado de minha mente. Na quarta, nada havia mudado, mas não haveria desculpas para simplesmente permanecer em casa, eu tinha que enfrentar aquilo de frente, mas ainda não era o momento, ainda não estava preparado, pra sorte o destino tratou de me ajudar, as regras as vezes estão a nosso favor... O dia se seguiu e nada mudara, exceto quando a noite caiu, foi aí que eu percebi que não faria sentindo manter a farsa, manter o personagem, tampouco fazer birra e fugir do problema, muni-me de coragem e recolhi os cacos de dignidade que havia espalhado no chão, determinei-me a seguir em frente, mas dessa vez não seria fácil abater-me, dessa vez era eu, não havia personagem algum, não havia roteiro, a questão tornou-se pessoal, e tudo que estava funcionando contra mim eu usei a meu favor, logo a adrenalina voltou a correr por minhas veias, a empolgação era visivel, dessa vez um passo de cada vez, com calma, mas sempre com dignidade e honetidade, coragem sempre.
Sei que olhando tudo como realmente aconteceu, foi muito mais intenso do que posso relatar em palavras, sendo assim mudanças tão bruscas seriam dadas como impossiveis, mas sinceramente não há mais farsa, agora eu encontrei um espaço, encontrei uma luz, uma corda, e é nela que eu vou segurar e ir em frente...

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opnião formada sobre tudo..."

Comentários

  1. é, xuxu. a gente costuma construir castelos ao redor do desconhecido. só que, em geral, esses castelos são de areia... cabe a nós construir fundações reais e sólidas. a vida não é só algodão doce e chocolate, quem dera...

    :*

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  2. é meu velho..
    o universo da ufal é mais complexo do que esperávamos.
    ;D
    não tem como fugir da realidade que nos espera fora do nosso feudo.
    ;D
    não vou mentir pra ti,tambem sinto medo do desconhecido!
    Abração!
    belo post maninho!
    ;D

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