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É que nem novela...

Tenho que confessar que os últimos dias não têm sido dos melhores, o último post meio que pode ter falado por alto, é bem alto, mas as coisas acontecem de forma que não é possível prever o que vem pela frente, muitas vezes é possível deduzir, mas comigo esses artifícios não funcionam muito bem, ao menos nos últimos tempos.
Eu sempre fui um cara bem reservado, previsível, monótono, e por aí vai, mas últimamente eu tenho sentido que as coisas andam tomando um rumo um tanto quanto diferente. Hoje em dia me pego tirando brincadeiras com pessoas que sequer tenho intimidade, sou mais extravagante do que costumava ser, prever minha atitudes, têm sido algo impossível até mesmo para este que vos fala, ao menos o monótono ainda está valendo.
De minha infância não me restam grandes recordações ou nada que tenha realmente marcado, nunca fui de peripécias, aventuras, amizades, essas coisas basicamente não estiveram presentes nessa fase. Acho que as coisas começaram a mudar em 2003, ano em que fui para o Santa Úrsula, lembro como se fosse ontem meu primeiro dia de aula, estava realmente deslumbrado, era um mundo inteiramente novo e encantador para mim, dessa fase me recordo de uma certa paixonite infantil por uma certa "porra-loca", hoje tudo isso me rende boas risadas. O ano de 2005 foi um divisor de águas em minha vida, digo isso com convicção, foi neste ano que minha infância ficou para trás, novas tramas, novas personas, basicamente um novo enrendo, era minha primeira metamorfose. Foi um ano em que conheci bastante gente nova, acredito que descobri aí o sentido da amizade, lembro com nostalgia desse tempo, outra recordação foram duas paixõesinhas, uma que me rendeu minha primeira fossa, e outra que concerteza passou dos limites de uma paixão, meu primeiro amor, praticamente a primeira vista, as coisas começaram tão rápido, entretando não levou o mesmo tempo para acabar, um amor que povoôu meu coração por cerca de dois anos, e que até hoje não encontrou um substituto.
Em 2006 pude expandir ainda mais meu conceito de amizade, nesse ano fiz verdadeiros irmãos, algumas perdas consideráveis, mas sempre com um belo sorriso no rosto, a vida era só flores. Outro marco deste ano foi o "surto motivacional", algo que nem eu sei explicar, o novo sempre me encantou e estão resolvi arriscar. Resolvi revolucionar em 2007, um novo ambiente, com um novo "cast", nada mal mudar as vezes, hoje vejo que foi mudança demais em alta velocidade, não me arrependo, mas reconheço que deveria ter agido com mais paciência, mas minha imaturidade não permitiu, e o bom filho a casa torna, retomando o barco já em alto mar, com frustrações advindas, e questões mal resolvidas, mescladas ao novo enredo que aquela velha trama de antes delineava, para um indivíduo imaturo, como eu, não seria fácil lidar com tantas crises, pessoas, e um fato: o mundo não gira em torno de meu umbigo. Daí pode-se tirar algumas conclusões de que muitas das histórias ficaram perdidas no tempo e mal resolvidas. Para 2008 sobrou então a bola de neve que veio se acumulando durante o ano anterior, as crises tomaram proporções ainda maiores, a intolência e a imaturidade, foram pontos que não foram exclusivos a mim. Nessa situação insustentável, a bomba explodiu, catástrofes dissidentes, aos poucos os destroços puderam ser juntados e serviram de alicerce para uma contrução, por hora, indestrutivel, não podendo-se negar que outras relações de tão extremecidas que estavam nem com uma boa recalchutagem seriam mantidas, com o fim de mais um ano, o fim de mais um ciclo, um fim de uma segurança utópica, o futuro era algo que agora, mais do que nunca, era um dia nublado onde não pudera ver o sol, um livro com páginas em branco, que a cada dia deveria ser escrito, mais e mais.
Nem bem 2008 dormiu, 2009 já me reservava fortes, e nem tão agradáveis, surpresas, perdas dolorosas deveras inesperadas e revelações bombásticas, me calcificaram e me apresentaram uma nova realidade, que mesmo com relutância eu deveria encarar e seguir em frente neste caminho, como nem tudo são espinhos, a tão almejada universidade se fez permitir minha presença, de início quem não ficaria feliz? O tempo foi passando, a magia foi perdendo a graça, e o que parecia um conto de fadas não passava de um filme de terror, que iria me render uma noite de ifinitos pesadelos, dito e feito, estavam presentes dia e noite, noite e dia, não havia momento de descanço, não havia paz, não havia alegria, aquilo era algo que em nada me fazia bem. A ausência daqueles que cultivei por tanto tempo, era algo que mais ainda me maltratava, não encontrava forças para seguir, mas de alguma forma segui. Tive que me camuflar, disfarçar sentimentos, suprimir reações, mascarar uma personalidade que até então julgava não ser eu.
Feriado, merecido e esperado, afinal com tanto sufoco eu precisava de um tempo fora daquela tempestade. No início, como tudo, as coisas deram certo, me surpreendi quando vi que eu ainda conseguia agir como o menino que dexei para trás, não na universidade, mas no colégio, descobri que ele ainda estavva vivo, era muito bom poder me sentir vivo novamente, era muito bom sentir-me novamente. Meu erro foi esquecer que ãlém de encantador, o menino também tinha seu perigo, sua imaturidade, sua intolerância, e fatalmente sua impulsividade. O resultado não poderia ser diferente, uma verdadeira catástrofe, fato que me deixou muito mal comigo mesmo.
A semana então correu da pior forma possível, não consegui me perdoar pela merda feita, e o sentimento foi piorando quando eu começei a me da conta de certas coisas, perceber que eu não necessariamente seria um objeto de melancolia, seria algo facilmente substituivel, e a visivel pena apenas para manter as aparencias me deixaram cada vez pior, dá então para imaginar que a semana foi uma verdadeira montanha russa, com surtos de raiva, tristeza e depressão, intercalados a momentos de descontração, e felicidade momentânea. Se bem que acredito que o ponto fatal da semana foi descobrir que a máscara que criei para mim já se empregnou tanto em meu ser que se tornou parte de mim, parte que agora não é dispensável, parte que descobri que se fundida aquele velho menino pode ser a resposta pro que eu realmente procuro.
Hoje, nesta noite de estrelas nubladas, aqui nesta cadeira vermelha eu vos escrevo este desabafo, que por fim me faz sentir-me bem melhor, e encerra esse ciclo "montanha russa", com um aprendizado: toda mudança é bem vinda, toda evolução é viável, desde que o melhor de si seja mantido e melhorado.

Comentários

  1. Hummmmmmmmmmmmmm! A princípio achei que o seu blog tava longe de ser autobiográfico... mas, agora! Hummmmmmmmmmmmmmm! Eu gosto da forma como você escreve! Às vezes é bom partilharmos o que sentimos, mesmo que seja com pessoas desconhecidas...
    Preciso de mais tempo para analisar os seus escritos...
    Termino este comentário com um verso do poema de Drummond: Tinha uma pedra no meio do caminho...
    Bjs, Loly

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  2. Maninho..
    viva darwin!!
    ;D
    é bom desabafar!
    ;D
    tb me lembro com carinho do meu passado no colégio,mas esse tempo ja passou cara!
    e outra,seja vc,em qlqr momento seja vc!
    ;D
    otima postagem
    :D

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  3. Amei seu texto. Tá escrevendo cada vez melhor.
    E muuuito me alegra conhecer cada detalhe desse ciclo aqui representado! :D
    :**

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  4. Concordo com a Ludmila, vc está escrevendo cada vez melhor. M as farei tbm como a Loly, tenho que pensar mais nesse texto.

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