Pular para o conteúdo principal

Isso é a "gente" ?!

Cada vez mais enlatados. Acorrentados a uma realidade fantasiosa, luzes de neon indicam o caminho incerto. Hoje pessoas como eu, assim tão normais, vivem, ou melhor pensam que vivem. Todos "vítimas do sistema", sistema esse que vigia e controla cada passo infalso, falso. Se ousar falar, eu vou te apagar, e isso acontece, mais comum do que muitos pensam. Ao contrário do que muitos devem estar achando, esta não é uma crítica ao sistema, a ele nada tenho contra, a crítica é ao não ser-humano.
Orkut, Twitter, Blogger, fazemos parte da geração "Google", passamos mais tempo cuidando de nossas vidas virtuais, do que o mundo aqui fora, e falo isso por mim. Nesse momento não sou hipócrita, o poderia ser, mas opto por não, ofereço minha cara a tapa, para que eu mesmo poça esmurra-lá. 
Eu, solteiro, nascido em 15 de dezembro, 18 anos, poliglota, interessado em amigos, contatos profissionais e companheiros para atividades. Sem filhos, de naturalidade hispânica ou latina, detentor de um lado espiritual independente de religiões, visão política relativa. Extrovertido, sarcástico, inteligente, simpático, miserioso, palhaço, rude, heterosexual, com um estilo alternativo casual, clássico contemporâneo, aventureiro de grife, urbano elegante, na moda. Não fumo, não bebo, prefiro que animais fiquem no zoológico, moro com meus pais, em Maceió. 1,74 de altura, olhos castanhos, cabelo que muda com frequencia, atraido facilmente por convicção, luz de velas, dançar, flertar, cabelos compridos, demonstrações públicas de afeto, poder, tempestades e riqueza material.
E esse sou eu? Absolutamente não, é você? Pouco provável. Existe alguém que preencha esses requisitos? Óbvio que existem, assim como existem manequins em vitrines, carros em concersionárias, e animais em zoológicos. Foi isso que nos tornamos? Objetos de comércio, exposição, nos prestamos a esses rótulos mediócres criados de nós para nós, rótulos que se sobrepõem-se uns sob os outros, como código de barras em supermercados, são tantos, inumeráveis, não há mais espaço pra ser o imprecindivel, gente.
Gente que pensa, que fala, que erra, que teme, que geme, que sofre, que ri, que grita, que cala, que briga, que cega. Gente, quantidade de pessoas; povo, multidão, população / Nação, habitantes de um país: a gente brasileira. / Humanidade: toda a gente teme a morte. / Família: que dirá minha gente? / Pessoas do mesmo partido político: nossa gente garantirá a eleição. / Nós, a pessoa ou pessoas que falam: ninguém se lembra da gente. // Gente branca, a raça branca... E até pra gente temos rótulos, e não o temos para algo?
Quem vai dizer como cada um deve ser, se ninguém sabe como si próprio deve ser? De mim não sei nem um terço, ainda assim com incerteza, o ser é instável, volúvel, mais e mais rótulos, esses neutros, pra mim, positivos ou negativos, pra outros. Cabe a nós apontar o que é certo ou errado pra outrem, se não sabemos o mesmo pra nós? Sempre são os outros, dizem para um, e ouvem de outro. Um jogo de dominó, sem começo, nem fim.
Ontem em meio ao tédio de um feriado prolongado, assisti a uma comédia, o mais incrível gênero de cinema, já que com sutileza, leveza, e tantas outras eza's, passam recados tão sérios quanto os dramas, que se ligam mais a emoção do que mesmo a razão. Voltando, o filme era "Uma família bem diferente", se tratava de dois gays, aparente bem resolvidos (da porta de casa pra dentro), recebiam a notícia de que o filho da ex-mulher morta do irmão de um deles passariam uma longa temporada com eles, logo se deram conta de que o menino era gay, ao contrário dos outros, afetadíssimo, uma Lady, deu-se aí o hilário processo de "masculinização" de um gay sem deixar de ser gay. Como isso é possível? Não tenho resposta, o menino fingiu ser o que não era, enganou a todos, pior ainda, enganou a si. Não preciso falar que no final tudo deu certo, típico, e digno, odeio finais trágicos, não perdi meu tempo torcendo pra uma história pra no final tudo ir pelo ralo. E aí está a mensagem, vale a pena mesmo tudo isso? Vale a pena fabricarmos algemas de aço para voluntariamente usá-las como pulseiras da "moda"? Vale a pena ser o que somos e o que não somos? Vale a pena esse desabafo?

Comentários

  1. eu ainda acredito que vale a pena ser você mesmo, mesmo sabendo que isso é muito complicado, envolve uma serie de questoes, pois o sistema, como vc memso disse, não permite que o ser humano se questione, procure o essencial dentro de si,e nem se percebe isso...

    http:www.pequenosdeleites.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Não entendi direito aonde você quis chegar.
    Mas, acho que cada um é cada um.
    Cada um sabe o que faz, o que sente, o que é!
    Ninguém está preso em nenhum tipo de sistema, seja ele a TV ou INTERNET.
    Só é preso quem quer, ou quem força para ser.

    Então, basicamente é isso.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  3. Na internet, mesmo quem diga o contrário, essa pessoa modificou pelo menos 1% de si mesmo para impressionar (auto-comercialização) quem está lendo seu perfil, ou algo do gênero. Muito bom o texto Lipo, você escreve super bem! *-* E, ahn... também não gosto de filmes trágicos, apesar da tragégia ser o que mais aparece em meus escritos. >.> hueahuehauehauea

    ResponderExcluir
  4. Mas é culpa do sistema sim.




    ahsuahsuahsuahsuahsua x)


    acho que já não há como resolver... o mundo é aparência, ou ao menos esta danada é um cartão de visitas, e tudo o que gira em torno dela acaba sendo imposto a nós. é mais fácil rotular pessoas e produtos. assim dá pra separar o joio do trigo...

    ResponderExcluir
  5. Hummm!
    É algo a se pensar! Ma,s concordo com você!
    NO que a gente se tornou? Quem sou eu? Uma leoa apaixonada, doente e masoquista?! Talvez... Quem é você? Um aventureiro de grife que vive hidratando o cabelo? Talvez...
    Hoje não sabemos mais quem somos... Nossa vida se passa na tela de um computrador...

    ResponderExcluir
  6. O sistema alimenta isso!

    www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

    ResponderExcluir
  7. É complicado...isso de criarmos esses "personagens virtuais" é, na verdade, uma fuga. Digo isso por mim também. Abuso da internet, principalmente quando as coisas aqui no mundo real não vão bem. Interpreto meu personagem e quem vê, pensa que até que sou tão forte. Ledo engano. Fora a [falsa] sensação de vida social nos momentos de solidão...minha racionalidade sabe que fugir não resolve e nem apaga nada! Sabe que calor humano é necessário ás vezes. Minha não-razão é que não sabe. Fuga, tudo fuga! Não sei se vale ou até que ponto vale a pena isso. Se que, quando desligo o PC, as coisas parecem voltar e me atingir com mais força, a vida me cobra ações, reações...criticamos a moda, eu mesma o faço muito, mas o que é esta "vida virtual" se não uma moda? Pois é...seu texto me fez refletir muito a respeito, viu?
    Gostei do estilo com o qual escreve e encerro meu comentário com uma citação de Fernando Pessoa:

    "Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos.
    E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária."


    Beijos!

    ResponderExcluir
  8. Respondendo a pergutna do post anterior do meu blog: "ela conseguiu ser o que quis? conseguiu ser feliz?"
    a conclusão do eu-poético é sua!!!rsss

    bjs, volte sempre

    ResponderExcluir
  9. Ai Lipo, acho q ja disse, mas se não aí vai: Vc escreve bem pra Ca#%$***!!!
    Trouxe muito sobre o que pensar, refletir sobre nossa realidade, sobre nós e sobre o q estamos (tentando?)nos tornar...
    Bem, falo de experiência própria, esse negócio de saber qm sou, de onde venho e pra onde vou...ñ funciona muito bem, pelo menos cmgo.
    Ameii! continue assim!

    ResponderExcluir
  10. Essa descrição do perfil do orkut me fez msm perceber que até lá, quando tentamos mostrar quem realmente somos, devemos escolher entre opções pré definidas, devemos nos encaixar em um grupo já existente, um rótulo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Há tudo a perder. Sincericide-se

Postagens mais visitadas deste blog

Alumínio

Sou desses que ousa dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi calar. Enquadro em palavras e esquadrias fragmentos de absurdo abafados, suspirando os abusos. Nadando contra-corrente, incoerente, metendo os pés pelas mãos. Um. Dois. Três. Olhe bem para trás, e sem pensar em nada, pense no que realmente importa. Jogado no campo, fitando seus olhos, pergunto baixinho o que se ouve quando todos os ruídos calam? Quantas teses e antíteses nos trouxeram até aqui? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio por entre a sala de jantar, desenho um cigarro no ar, chá entre as pernas, mas algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens de bem, agora habitam nossos silêncios, justo quando o mundo pede um pouco mais de alma. Será que o tempo parou ou a gente que não viu? Nessas noites, desses muitos quere…

Gatilho

Aí está a história de um homem. Era uma história muito engraçada, não tinha enredo, não tinha nada. Um homem que a única certeza que tinha era as incertezas que o movia, perguntas sem resposta, inseguranças sem razão. E seu maior medo, a falta de certeza, não ter razão. Queria voar sem tirar os pés do chão. Ver além, através. Colher certezas, ouvi-las. Por isso ele andava. Caminhava pelos dias, passeava pelas horas, via o que não se vê, de olhos bem abertos, dizia o que não devia ser dito, sentia o indizível, se acreditava impossível. Tanto quanto impulsivo, expansível, imprevisível. Dava a cara a tapa. A cara, a face, a outra, o corpo, a alma e o coração. De tanto apanhar perdeu o medo. Doer, doía, mas fazia parte. Se atirava em cataratas, enquanto buscava o tédio das águas mansas. Falava de si com a destreza de um bom conhecedor. Falava. Falava quando só precisava ouvir. Buscava. Devoto de Nosso Senhor Jesus Crítico, se dizia too cool, e se morria e se matava a cada novo soluço. Nã…

Mônica

Hoje foi não foi um dia fácil, corri meio sem rumo, desacreditado, honrando compromissos que não pareciam se encaixar, seguindo o fluxo, deixando me levar. Fiz mais do que pude, falei mais do que sei, o tal peso da vida adulta. Já passa das 11, poderia escrever que estou sentado num sofá de couro, as luzes da cidade sobre mim, uma taça de vinho repousando sobre minhas pernas, uma fotografia perfeita para textos perfeitos. Mas minhas polaroides são borradas. Estou rencostado meio de lado, as costas doem, virei chácaras de café, relutante em dormir por essa noite, e te encontrar outra vez. Não vou mentir das vezes que pensei em você, das muitas vezes que meu coração saltou garganta afora ou ver seu nome cintilando no vidro fosco, e todo o circo que armei tentando agradar. Eu não sei onde quero chegar. Existe uma vida antes e outras dez depois de nós, ainda assim você não sai do meu sentimento. Ah, piegas, coisa de escritor romântico, que busca palavras bonitas para o ser amado. Coisa n…