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Mostrando postagens de Setembro, 2009

Eureca

Andava tão sozinho que por vezes esquecera-se de fazer-se companhia. Parece absurdo, mas a solidão era para si como um acessório qualquer, como um relógio que trazia no pulso, ou os óculos da face. Era algo tão seu, tão próprio, que não se incomodava de assim estar.
Certa vez, num dia de claro, agradável, em uma de suas caminhadas pelo parque pôs-se a admirar, não sabia bem o que olhava, era tudo tão normal. Havia beleza, claro, mas nada espetacular, nada que fosse digno de mais que cinco minutos de atenção, ainda assim se demorou. Eram longos minutos, podia sentir, mas não cabia naquele momento preocupação com o tempo, nada mais importava se não seus devaneios.
Seus pensamentos iam longe, milhas e milhas distantes, não tinha um foco, era uma estrada tortuosa, cheia de transversais e paralelas, cruzamentos embaralhados, e nessa bagunça toda se perdia, mas encontrava-se. Levemente alteou o canto da boca num gesto que lembrara um meio sorriso, ao passo que inclinava a cabeça e levantava o…

Seis

Há exatos seis meses atrás, estava eu na frente desta mesma tela de LCD, buscando alguma forma de dar início a este blog. Na ocasião eu falei do quanto seria difícil me manter aqui, devido a minha constante e expressiva metamorfose. Falei de que não seria a primeira vez que me arriscaria, e que não saberia se obteria êxito. E cá estou eu, seis meses depois, aparentemente no mesmo lugar de antes, falando das mesmas coisas de antes, pensando talvez as mesmas coisas de antes. Na verdade, não acho que nada seja como antes, acredito naquelas teoria que defendem a constante modificação de tudo que há na natureza, e mesmo tudo que está ao meu redor ser tão artificial, acredito que tudo mudou, quando digo tudo, quero dizer tudo. 
Nesses últimos seis meses da minha vida eu descobri, que este espaço é o meu maior aliado na tentativa de sobreviver a minha insana rotina. Descobri que a cada metamorfose, cada crise, cada drama, cada riso, esse blog me acompanhou em todos os momentos, se adaptando a…

O 1º a gente nunca esquece

Hoje tive uma grata surpresa ao receber o selo acima. Recebi-o de um chará, Felipe Marcato, dono do blog Não sou vagabundo. Como ele mesmo disse as regras são simples, 10 blogs merecedores do selo:


AmorTeceDor
{Des}Necessária Solidão
Blog do Eduardo
Criando Mundos
Infinitamente Pessoal
Daniela Filipini
Contramão Contrariada
Teoria do Playmobil
Pequenos Deleites
Thoughtless
Todos receberam merecidamente, inclusivo o que me indicou, porém por virtude de já ter recebido, achei melhor dar a chance a outros.
Obrigado.

Num passado não muito distante

Num passado não muito distante eu sorri. Sorri quando te conheci. Não foi nada muito especial já havíamos nos vistos outras vezes, mas só nesse dia eu te conheci. Juro que não imaginava que seria assim, estávamos todos ali, mas só agora nos conhecíamos. Você lembra como era bom? Como éramos felizes, e nós sabíamos disso. Tivemos brigas, desavenças, olhos tortos, mas ainda assim aproveitamos da melhor maneira. Era maravilhoso poder te ver todos os dias, acordar com a certeza de que se o sol não brilhasse, seu sorriso brilharia para mim. Se o frio chegasse, seus abraços me protegeriam. Você cuidou de mim como quem cuida de um irmão mais novo, ou até mais. Foi pai, mãe, irmão, irmã, amigo, amiga, primo, prima, a família inteira. Por vezes foi até desconhecido, mas sempre soubemos nos conhecer. Você soube aturar meus surtos, minhas crises existenciais, meus ciúmes, minha imaturidade. Soube me ensinar a como me comportar com a vida. Você me fez crescer. É não deu pra gente continuar, mas t…

Meu adeus

As coisas já não são mais as mesmas. Já cansei dizer isso. Disse, redisse, mas as pessoas cismam em não quererem acreditar. E eu, crédulo, desacredito aquilo que acredito. Não foi uma, duas ou três vezes que eu reparei e falei, e fui rebatido. Certa vez num encontro as pressas, surpresa mesmo, acabei sendo levado, que tudo aquilo que de forma lógico eu tinha concluído, havia sido mero, devaneio. Tolice, como sempre. Longe de mim querer ser o dono da verdade, seio bem que não sou, mas só não enxerga quem não quer. A realidade está cada vez mais claro. Não estou aqui intencionado a acusar os pontos de vista alheios, estou aqui expondo fatos que me fizeram chegar ao meu ponto de vista. Tão mutável quanto esse que vos fala. Eu sei bem que nada é pra sempre, só não era de meu gosto que acabasse agora. Não vou dramatizar, enaltecer sentimentos que ao menos agora não são verdadeiros. Senti muito a falta de pessoas que por motivos sem explicação, coisas da vida mesmo, acabaram tomando caminhos…

Sem limites

Já passara da meia noite quando resolveu sair para espairecer. Sua cabeça estava a mil, seu coração dilacerado, necessitava fugir dali. Não havia muitas opções, o adiantado da hora devia ser levado em conta. Era madrugada de sábado para domingo, ainda assim poucas pessoas na rua, em alguns bares pequenos grupos de pessoas conversavam, riam, berravam. Não sabia para aonde ir, caminhou à beira do mar. A areia fria, a água quente, paradoxo este que se repetia em seu interior. Encontrou um lugar mais afastado, uma pedra, próximo a um farol, sentou-se se pôs a admirar aquela paisagem à meia-luz. O cabelo ao vento, as calças dobradas até os joelhos, camisa aberta, sapatos à mão. Reparou que ainda usara as roupas do trabalho, também como pudera pensar em trocar-se. Aninhou-se na pedra, que parecia abraçar-lhe, obteve ali o colo que estava a procura, em pouco tempo adormeceu. Algumas horas se passaram. Acordou com a água a salpicar em sem rosto. Estava tão leve, tão pleno, que julgou ter dorm…