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Meu adeus

As coisas já não são mais as mesmas. Já cansei dizer isso. Disse, redisse, mas as pessoas cismam em não quererem acreditar. E eu, crédulo, desacredito aquilo que acredito. Não foi uma, duas ou três vezes que eu reparei e falei, e fui rebatido. Certa vez num encontro as pressas, surpresa mesmo, acabei sendo levado, que tudo aquilo que de forma lógico eu tinha concluído, havia sido mero, devaneio. Tolice, como sempre. Longe de mim querer ser o dono da verdade, seio bem que não sou, mas só não enxerga quem não quer. A realidade está cada vez mais claro.
Não estou aqui intencionado a acusar os pontos de vista alheios, estou aqui expondo fatos que me fizeram chegar ao meu ponto de vista. Tão mutável quanto esse que vos fala. Eu sei bem que nada é pra sempre, só não era de meu gosto que acabasse agora. Não vou dramatizar, enaltecer sentimentos que ao menos agora não são verdadeiros. Senti muito a falta de pessoas que por motivos sem explicação, coisas da vida mesmo, acabaram tomando caminhos diferente dos meus. Mais isso é a coisa mais normal do mundo não é? Exatamente, pessoas fazem escolhas, e nem sempre essas escolhas são as mesmas para todos.
A questão é, isentando a todos de culpa, eu tinha companheiros, amigos, mais que isso irmãos, confidentes, mas isso na época de escola ainda, e por mais que aquelas promessas de jamais nos separarmos fossem de coração, eu sabia que mais cedo ou mais tarde não haveria mais aquela convivência diária, que tanto nos agradava. Infelizmente se deu mais cedo. Eu e outra amiga entramos na universidade, eu estudava pela manhã, já ela a tarde, não nos encontrávamos, enquanto que outros dois, por artimanha do destino, não foram selecionados no vestibular, estavam juntos num dos cursinhos da vida, entretanto também não mantinham grande contato em virtude das turmas separadas. 
E dessa forma cada um foi seguindo sua vida, com novas amizades, novas rotinas, novas vidas. Eu por mais que tentasse me dedicar aquilo que me dispus a fazer, não estava realizado, e o convívio não era espontâneo. Segui até quando deu, e inutilmente, mantive uma fidelidade a quem em minha cabeça não me foi fiel. No meio da caminho tentei retomar laços que a algum tempo haviam sido deixados pra trás, remendos mal feitos, foram feitos, e aquela paixão, não mais existia. Por mais que eu esperasse por tudo que estava acontecendo, não poderia enganar a mim mesmo e dizer que estava tudo bem, porque sabia não estar. E era visível, por mais que eu negasse. Então depois de sucessivos atos de indelicadeza, "abandono", e "infidelidade", resolvi seguir minha vida e estabelecer outras prioridades. 
Larguei tudo, me estressei, cortei relações, não fui muito longe com essa postura, e como relato assima, mudei meus conceitos. E hoje, não mais com o drama de antes, não mais com a cegueira de antes, larguei mão do meu extremismo de outrora. Tudo porque, eu não presenciei, eu não vi, não me falaram, eu simplesmente senti. Senti que forçadamente uma conversa de cinco minutos que antes passara-se com um segundo, hoje durava mais que uma eternidade. Senti que não houve alma, não houve espírito. Não houve paixão.
E é por isso que venho aqui dizer, não estou me despedindo, não estou cobrando nada, só estou dizendo, que bem ou mal, graças a vocês, eu estou seguindo minha vida. Guardo todos como uma lembrança boa de um passado maravilhoso. Seguiremos amigos, por toda vida, isso nunca vai mudar. Mas a vida se encarregou de nos afastar, e não vou ser eu que vou correr contra a maré. Eu tentei, eu lutei, eu dei tudo de mim. A recíproca não foi verdadeira, ao menos não na mesma intensidade. Dessa vez não vou dizer que estarei aqui pra quando quiserem voltar, só direi que foi eterno enquanto durou. E que hoje tenho outras prioridades, assim como vocês. 
Meu caminho já está sendo trilhado, e se um dia a paixão ainda existir, pra todos nós, quem sabe esses caminhos paralelos não se tornem transversais. Quem sabe. Espero que não haja culpa, arrependimento, mágoa, ou rancor. Sigo de alma lavada. Sigo em frente de cabeça erguida. Porque hoje é o meu adeus.

Comentários

  1. Depois de algum tempo, fico realmente satisfeito com um post... nesse teve alma, esse foi de coração...

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  2. É muito triste, mas as coisas são assim mesmo! Já aconteceu algo parecido comigo...

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  3. Indiscutivel.Tocou.Deu pra notar que tem sentimento no texto,ta nitido que foi de coração em cada palavra tua.Li e reli.

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  4. rapaz, pra quase todo mundo :S Mas é porque no dia que eu escrevi aquilo (anteontem) eu tava super abusado com o mundo kkkkkkkkkkkk ja passou :)

    E que post forte! Mas, se você parar pra pensar, geralmente é assim. Os amigos acabam se afastando querendo ou não. O que torna um amigo realmente amigo são as memórias que você tem dele. Essas sim, não se afastam nunca.

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  5. Ah cara, acontece mesmo. Eu passei pela mesma coisa, assim que entrei na faculdade, 2 grandes amigos entraram também, mas em cidades muito distantes, enquanto os outros ficaram pro cursinho. No ano seguinte, esses do cursinho também foram para outras cidades distantes, se bem que no meu caso, todos nós fizemos um grande esforço pra nos manter unidos, e hoje tenho um amigo em cada canto do estado, e nos reunimos todas as férias, quando é possível, pra compartilhar as novidades. A distância em certas horas faz bem, torna o reencontro mais prazeroso.

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  6. Ahhh Lipo q forte!! Como tudo em vc, esse post teve alma!
    Este me tocou especialmente pq as vezes me pego pensando, relembrando os q ficaram para tras, aqueles laços tão eternos q se afrouxaram... a vida segue e não é igual para todos...

    Ahh só pra agradecer teu coments no meu blog:
    Ameiiiii!!!!!³
    NoOssa! minha vaidade e meu ego inflaram e foram parar no céu! Muito obrigada Lipo. Embora eu ache q em alguns pontos vc descreveu outra... kkkk umas das minhas fases/faces?
    Um bjaõ

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