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E.Q.M.

E foi estranho te ver, parada em minha porta, escondendo-se da chuva. Foi estranho te ver e não sentir nada, ouvir e não entender, não tenho palavras suficientes para descrever o quão perplexo estava.
Sim, surpreso fiquei, mas não passou disso, infelizmente não passou. Seus gestos, sorrisos, e tudo aquilo que você me falava e que soava tão esdrúxulo, pequeno, um nada.
Qualquer coisa tinha mais brilho que meu olhar, qualquer coração pulsava mais que o meu, senti-me quase morto. É, foi isso, deve ter sido aquilo que chamam de experiência de quase morte.
E pra você, claro, foi estranho. Estranho perceber que não mais me possuía, que não poderia brincar mais, estranho reparar que passou, mais pra mim que pra você.
Mas como assim? É difícil entender, como passou pra mim e ficou pra você, se em momento algum, nem por um segundo que fosse esteve pra você. Você já pronunciou isso, uma, duas, três, ou sabe-se lá quantas vezes você fez questão de gritar aos quatro ventos que jamais aquele sentimento se materializaria.
Não isso não é uma cobrança, um julgamento, ou como queira chamar, isso é mais um daqueles desabafos sinceros que você tanto me cobrava, mas que hoje recusa-se a ouvir, entender, e o que é inadmissível, aceitar.
Não vou mais me prolongar, nem criar mil e um argumentos pra te convencer, porque apesar de esse ser o meu trabalho, eu me eximo desta função, nesse momento.
E acredite se quiser, como a muito tempo não acontecia, hoje, eu chorei. Enquanto pra você eu sorria, por dentro me rasgava, cortava o peito como se atingido por uma gélida faca, não por trás, como traição, mas face a face, cara a cara, lentamente, chorei como quem morre aos poucos dolorosamente, um sofrimento indescritível, e que você jamais poderá sentir. Sofri por não consegui ver em você nem uma migalha daquilo que amei. Sofri por sequer poder sentir...

Comentários

  1. ouch. isso doeu em mim. que melancólico... finais são sempre tristes...
    mas pra cada dor, existe um porvir, amore.

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