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Disfarça e chora

     Quem é mais sentimental que eu?
   Sempre soube que a pessoa mais sentimental que eu conhecia era eu mesmo. Sempre soube que meus sentimentos exagerados e sempre tão a flor da pele, dificilmente me levariam para onde eu tanto queria. Sempre soube, como isso fosse fazer alguma diferença.
   Eu sempre soube de tantas coisas... Sempre soube que viver não seria fácil, mas nem por isso eu deixei de fazê-lo. Teimosia, eu sei. Quem vê assim é capaz de pensar... Eu sei de tantas coisas, sou quase um orákulo, um gênio. Ah, a quem queremos enganar? De que adianta tanto saber, se pouco se pode fazer, ou mais apropriadamente, pouco sou capaz de fazer.
   Sempre soube que nunca soube controlar meus sentimentos, sempre soube que firmeza era algo que me faltava nesse aspecto, mas saber não fez a menor diferença. É sempre como um ciclo, uma onda, vem e vai, sempre volta. É só falar com você, pensar em você, olhar pra você... Eu queria ter você aqui, sabe, como nos velhos tempos?!
   Ai você vem e diz, “ué você mesmo disse que devemos viver com o que temos hoje”. Sim eu sei. Eu sei que hoje nosso único laço é a lembrança, a lembrança de tudo que vivemos, e do que não vivemos. Até mesmo nosso amor virou uma mera lembrança.
   Não nos olhamos mais, nos falamos mais, não nos amamos mais. Seria simples assim, mas eu ainda amo, sofro, penso. E por mais que você diga que vai voltar, é dificil acreditar, é mais uma ilusão pra me confortar, mas no fundo eu sei que é passado.
   Seguem-se sempre caminhos diferentes, estamos em estradas quilometricamente afastadas umas das outras, o vento que aqui passa, não passa por aí. Tão próximos e tão distantes, e por mais que esses caminhos tenham nos levado para lugares, pessoas, que amamos mais e mais, ainda assim, na minha boleia ainda há uma vaga, eterna, para você.
   Espero que assim como tudo que é sólido, nosso amor também possa derreter.
   Se eu fosse forte como Deus e o mundo quer...

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