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Mostrando postagens de 2011

Reflexões de liquidificador

Estou longe, tão longe, distante, de mim e tudo que possa ser meu. Milhas e milhas distantes do meu amor. Hoje o que me leva pra perto são quadradinhos, mínimos, cinzas, letras miúdas, e um desconforto absurdo, desconforme. Um grito abafado que teima percorrer caminhos errados, ouvidos errados. Queria poder voltar, mas tornei-me refém de meus próprios desejos, preso num conto, sem um conto. Cinza e concreto, na selva de pedra viro camaleão, e por entre chuviscos ácidos, me esqueço da idéia, era boa, mas perdeu-se, e nunca voltará. Melhor assim. Estamos a um passo do ultimo respiro do ano, um passo do fim... Do mundo? Nem de longe, na era louca da sustentabilidade, onde a lei é recriar, reciclar e reduzir, o mundo merece ser reformado, está sendo, a muito tempo, você não viu? Quanto ao sr. Ano Velho, obrigado 2011, "você foi duro, trepidante, e fundamental". Que venha dr. Ano Novo, e por favor esquisitos de plantão, poupem nossos culhões, o mundo não vai acabar, ou melhor, &…

Mais uma canção

A admiração e o respaldo dados, em vão, a ti, jamais voltarão, e eu sequer peço nem mais um segundo de atenção, tudo que tinha de ser dito, ficou pra trás, em breves espasmos intercalados de abismos silentes. Hoje somos eu, você, e tudo aquilo que restou. Nossas regras falharam, nada mais funciona nesse jogo do siso, nesse eterno vai-e-vem de quem se joga primeiro do precipício. Eu fujo da raia. Tudo pela chance de manter a hombridade e a coragem de pôr a cabeça no travesseiro todas às noites, e dormir sem ter medo de me arrepender seque por um instante, nem cogitar fugir da responsabilidade dos meus atos. Se tivesse a chance de fazer tudo diferente, acredite, eu não faria. Erraria os mesmos erros, choraria as mesmas lágrimas, sorriria os mesmos risos, amaria as mesmas pessoas que me negaram amor. Não me entenda mal, eu apenas percebi que cada gota do sangue e do suor derramados na batalha, construiu este que vos fala, e fizeram de mim um homem. Desconsidere minhas últimas palavras, …

Beijos, Blues e Poesia

Sinto falta da consciência que não tive, do que me recusei a ser, do que não me deixaram fazer. Sinto falta do que não quis, do que não ouvi, do que não vi, do que não vivi. Sinto falta do que não pensei, do que não falei, e do tanto de tempo que esperei. Sinto falta de ter parado, de ter te parado. Sinto falta de não ter arriscado, de ter aceitado, e de tantas vezes ter relevado. Sinto falta dos sapatos que não usei, da areia que não pisei, do bom dia que não dei, do elevador que não segurei. Sinto falta do amor que não te dei, daquele beijo que não roubei. Sinto falta de um mundo. Sinto falta de um tudo. Sinto falta de ter sido. Sinto falta da culpa que não tive, e da coragem que me faltou. Sinto falta de acordar, e de ir dormir. Sinto falta daquele em quem me transformei, e que não quis ter a chance de ser quando podíamos ser, quando queríamos ser. Sinto falta da minha velhice. Sinto falta da minha criança. Sinto falta dos 15. E se eu soubesse a falta que a falta faz sentiria falt…

Adapte-me

Você me diz não, com olhos de bem-me-quer. Espera que já vou. Fixação. Doce ilusão. Engano dos sentidos, faculdade de entender. Brinca comigo e faz de mim o que bem quer, o que bem quero. E você quer, agita e usa.Vira meu mundo ao avesso, põe tudo de pernas pro ar, provoca, desdobra, e desvira. Toca os pés com as mãos, o céu com o coração. Balança, mas não cai, outro gole e se refaz. Um toque, um passe, outro impasse. Olha torto, revira os lençóis, tenta me afogar, e no fim só quer me afagar. Vai decifrando os sinais, em meus erros mais banais, em cada traço, cada rosto. Sabe que é dona... Proibida pra mim. Tenta persuadir, caminhando por trilhas de quem quer se convencer. Você passa, você olha, você chama, faz que manda, e perde a linha. Sei de cada sombra da tua voz, de cada capricho teu, o que não dizes, e preferes calar. Sei-te de cor. Te estudo, de longe, de perto, cada vez mais perto, sem um centímetro de culpa. Apenas um milímetro de paixão. Vai se abrindo, soltando as rédeas,…

Amiúde

Perguntaram por onde andei, caminhei pelo tempo. O tempo todo não foi tempo demais, era pra sempre, mas o pra sempre sempre se vai. Entre becos e favelas, perdi as palavras, por entrelinhas e canções, perdi a razão... As palavras sempre escapam quando se fala de verdade. Não me repito no verbo, vou fazendo coerências, fingindo que alguma coisa por aí faz algum sentido. No mais, o mais do mesmo fica por sua conta em risco. Risco de se encontrar, no olho da tormenta e se salvar. É o que te define, destaca, frustra? Vai lá e diz pro mundo cair por aqui, diz que o sol ainda gira lá fora. Enquanto o asfalto ferve, pulo de nuvem em nuvem. Aqui dentro tá frio, meu peito, a ponta de um iceberg. Perdão pela falta de jeito, de tato, não tenho o costume, o princípio me basta. Sou bicho bruto, estrangeiro, filho da selva, selva de pedra. Bastardo do concreto, mundo afora dizem-me abstrato. Agora sou eu quem digo, cai mundo, bem aqui na minha mão, desce das costas que já tá pesado por demais.

Iminente

Nem sempre palavras descrevem sentimentos, e isso me frustra. Como se fosse apenas uma simples questão de ser ou não ser... Eis a questão. Tudo se trata de uma escolha, um ponto de vista. Um ponto de partida. Doce solidão. Uma taça de vinho e um cigarro imaginário... E a vida assemelha-se a um pau: é curta, mas quando fica dura, parece tāo comprida. Vai pensando que conhecemos as pessoas. É hora do espanto? Ah se eu conseguisse entender metade das coisas que você se propõe a fazer... E se você pudesse ver como a linha da coerência é tênue e bamba. Mantenha-se ou volte pro picadeiro, e brinque de palhaço. Sigo sabendo que nada sei, e que o normal de antes já não me serve mais. Hoje a única coisa que pode tirar meu sono é se vai fazer sol amanhã.

Aurora

A essa altura, fechar os olhos e fingir não deveria ser uma saída. Deito, me reviro do avesso, procuro no silêncio da madrugada as respostas para as perguntas acanhadas que vão sendo esquecidas dia após dia, e mais um dia fogem. Procuro me enganar, fugir, fingir. Tentando me convencer de encontrar liberdade em solidão, de que preciso ser só para ser livre. Insensata necessidade de romper, partir, destruir mundos, este é o fim. Justificam-se os meios, não os medos. A madrugada escura me amedronta, me traz de volta ao vazio, me leva a consciência e põe de volta um algo estranho no lugar. O mundo revira por entre meus lençóis, trazendo de volta meus devaneios, minhas ilusões, memórias borradas, rasgadas, de um lugar adoravelmente desconhecido, refletido no brilho das estrelas caídas sob a terra molhada. E logo penso “Já estive aqui”. Não consigo dormir, e já nem sei se quero o que quero. Tantas coisas e nada, tantos simples. As paredes caladas nem me ouvem mais, já não há o que fazer, n…

Olhos meus

Sempre é mais simples estar do outro lado do espelho. Fácil entrar nesse jogo, rir com as regras, brincar de gente grande, difícil ganhar, impossível não perder. Afinal de contas quem mede a facilidade? Quase um dom, ser camaleão, se camuflar, adaptar-se as mais diversas situações, passar despercebido, simplesmente... passar. Sempre fui de colecionar sentimentos, decepções, amores, falsos amores, carinhos, e demonstrações públicas de afeto. Acumulei fingimentos, quereres e posses. E o que era verdade? Moldando-se de acordo com as vontades, e alardes. De quem? Pra quem? Por quem? Dançando conforme a música. Suavizando feridas, remoendo angústias, sempre inadequadamente adequado a situação. Nem havia razão de se importar com nenhuma palavra, sussurro, gesto, sorriso, ou olhar. Difícil até de reparar. Andava tão à flor da pele que questionava o valor, e somente seduzia, digo, deduzia: nada importa! Quem se importa? Doía, doía saber que cada palavra esbravejada ali, morreria ali. Sem sentido…

M.

Eu poderia te amar, mas não amo. Assim parecemos mais iguais, nesse jogo desregrado, que você, mulher, insiste em me prender. Faz que não percebe, não durmo a dias, meses, passo as noites a te querer, velando teu sono, sonhando teus sonhos, imaginando-me nos mais sórdidos. À noite, quando o café já nem faz mais efeito, é outra, diferente do que é, do que faz questão de ser, tão plena, mansa, menina aninhada, nos sonos mais profundos, em meus braços. Clichê, mentira, calúnia, crime inafiançável te ver e não te querer, improvável, impossível. Dá-me teu veneno que eu tanto gosto, essa tensão, paixão, tesão... Eu não te amo, eu apenas te quero. Não me reconheço mais, fizeste de mim um típico cafajeste, um cafajeste apaixonado...  Me encontra onde ninguém mais pode ir. E eu já nem me importo mais, nem com o medo, as aparências, os gostos e desgostos, nada importa. Eu te quero, agora, para sempre e por um instante. Na cama, na lama, em lugar algum, num lugar qualquer, um lugar comum. Eu não…

Tormenta

Ele é apenas uma criança, no auge de seus vinte e poucos anos, continua sendo uma criança, ao menos continua na luta pelo direito de poder ser uma, só por mais uns minutos. Uma criança perdida, num passado perdido, esquecido. Onde memórias borradas são apagadas a cada dia que passa. Menos um traço, um risco. Risco de perder-se, risco maior ainda, encontrar-se. O risco é não ter sentido. O risco é não ser sentido...
Eu preciso ir, agora, sair lá fora. Andar com os pés descalços no asfalto quente do meio dia, gelado da meia noite, na areia molhada da praia. Sentir o vento roçando meu rosto, despenteando meus cabelos, embaçando minha vista. Preciso me perder. Isso já não tá dando certo, não tem feito sentido, e nunca fez, não deveria fazer, não deveria ser preciso. Mas eu preciso... ser impreciso, buscar um sentido, algum tempo, umas manias novas, roupas novas... Um coração novo, menos calejado, menos gelado, menos poluído, mais nobre, mais pobre! Um músculo involuntário que pulse, apto …

Duelo

Nós começamos
Não terminamos
...
Você continua
Eu paro Você ignora Eu peço Você nem liga Eu amo Você brinca Eu faço Você finge Eu desculpo Você condena Eu fujo Você prende ... Eu paro Você igonora Eu espero, paro, respiro, ignoro, e parto
...
Tua cara e teu coração
Bem como você fez com o meu

Na Lama e na Cama

Mais um passo, e lá estava, despida, deitada, como sempre que nos víamos, com suas minúcias e afins. Seu olhar, seu tom de voz, e o mais óbvio, seu corpo, denunciavam o que estava por vir.
Não, você não tem razão, não agora, e sinceramente, duvido que algum dia tenha tido, afinal, seu hobby sempre foi esse, manipular mentes, e corpos. Talvez esse tenha sido seu erro durante todos esses anos, seu excesso de razão, com surtos sentimentalóides, psicóticos, nada homeopáticos, insanamente paquidérmicos. Seu erro foi toda essa certeza, o tempo todo, de tão certa perdeu a razão, sobretudo ao querer que as minhas razões fossem rigorosamente as mesmas que as tuas, larga mão de tanta babaquice. Hoje vejo que escolhi mal, você não é uma boa entendedora, tenho dúvidas que possa ser boa em algo, além da cama. E se em todos esses anos não foi capaz de perceber que minhas razões são bem distintas, e distantes, das tuas, só lamento. Não, elas não são melhores, nem piores, tampouco mais racionais – e…

Epílogo

Uma história de amor nunca é simples, e quase nunca acaba, mas tem seus pontos finais... Ele já não sabia mais o que fazer para satisfazer os desejos dela, e por isso abria mão dos seus. Agia com tal sutileza que seus esforços eram imperceptíveis aos olhos sãos, até mesmo aos dela. Na contramão, contrariada, ela, sempre certa de si, incisiva, seus planos ao alcance das mãos, dispostos a seu bel prazer, prazer um tanto questionável, ao menos aos olhos dele. Ela, nublada com suas verdades e mentiras, direta, racional, um tsunami. Ele, sempre abstrato, sentimental, às avessas, leve como uma brisa. Extremos tão opostos, como água e óleo, não se misturam,e por mais que tentem, não são uma unidade, não ocupam o mesmo lugar no espaço, assim como quaisquer outros corpos não poderiam. Teimosos, e um tanto estúpidos, insistiam. Sucessivos encontros e desencontros, erros e acertos, numa desproporcionalidade paquidérmica, sem sentido, e isso era o que mais alargava o abismo de seus corpos, os sentid…

Satisfaction

I can't get no satisfaction... Eu não consigo me satisfazer, e olha que eu tento, tento e tento, mas eu não consigo. E nessa corrida insana para nomear culpados, eu te culpo, ainda que eu saiba que o principal culpado, quiçá o único irresponsável, seja eu. Insatisfeitos, esse é o nosso estado frequente, quase um estilo de vida, insustentável, insuportável. Grande parte dessa insatisfação se dá por conta desse imenso vazio entre nós. Um vazio de sentir e ser sentido, contrasenso, eu sinto, e como sinto, sinto demais, sem sentido, sem ser sentido. Nunca é o bastante, nosso copo está sempre meio cheio, não por otimismo, apenas por estar sempre meio, nunca ser todo, completo. Eu sinto falta, sobretudo daquele castelo de ilusões que fazia de mim ainda mais insatisfeito, menos parecido com você, mais próximo de mim. Sinto falta das minhas razões, existam razões, e hoje até a razão me escapa e me sobra, falta sentido, falta ser sentido. No fundo eu sinto falta de tudo aquilo que me fazia menor…