Uma história de amor nunca é simples, e quase nunca acaba, mas tem seus pontos finais...
Ele já não sabia mais o que fazer para satisfazer os desejos dela, e por isso abria mão dos seus. Agia com tal sutileza que seus esforços eram imperceptíveis aos olhos sãos, até mesmo aos dela. Na contramão, contrariada, ela, sempre certa de si, incisiva, seus planos ao alcance das mãos, dispostos a seu bel prazer, prazer um tanto questionável, ao menos aos olhos dele.
Ela, nublada com suas verdades e mentiras, direta, racional, um tsunami. Ele, sempre abstrato, sentimental, às avessas, leve como uma brisa. Extremos tão opostos, como água e óleo, não se misturam,e por mais que tentem, não são uma unidade, não ocupam o mesmo lugar no espaço, assim como quaisquer outros corpos não poderiam. Teimosos, e um tanto estúpidos, insistiam.
Sucessivos encontros e desencontros, erros e acertos, numa desproporcionalidade paquidérmica, sem sentido, e isso era o que mais alargava o abismo de seus corpos, os sentidos, ou melhor, a ausência dos sentidos. Sentidos distintos para ambos, como estradas paralelas, sem cruzamentos, sem interesse, sem vontade, sem desejo. Durante algum tempo apenas um olhar foi suficiente, o bastante, apenas um toque sob a paisagem: natureza, morta!
Ainda assim é amor, porque eu sei que é amor, sei que cada palavra importa. Mas pra ser amor tinha que haver bem mais compreensão, tinha de ser maior do que a razão. Amor não tem de ser sinônimo, amor é ímpar. Não, o amor que se recebe não é, nem nunca será igual ao que se dá. Não é como uma das equações matemáticas perfeitas dele, a vida não é como ela quer, e saber lidar com o imperfeito é um exercício de desapego, e o desapego, meu amigo, é extremamente letal ao que chamamos por amor.
As imaturidades dele, os desejos dela, o amor dele, os sentimentos dela, e um imenso abismo separando dois mundos. Amor demais, não, conforto, ou apenas orgulho, ferido, faltando paixão, e me perdoem os românticos incorrigíveis, nessa vida nada sobrevive sem uma boa dose de loucas e arrebatadoras paixões, sem a insensata e indescritível vontade de ser, estar, pertencer, possuir. Paixão por além de uma noite, além de uma cama, além de uma transa, além do prazer. Paixão que vem das vísceras, que vem do olhar.
As imaturidades dele, os desejos dela, o amor dele, os sentimentos dela, e um imenso abismo separando dois mundos. Amor demais, não, conforto, ou apenas orgulho, ferido, faltando paixão, e me perdoem os românticos incorrigíveis, nessa vida nada sobrevive sem uma boa dose de loucas e arrebatadoras paixões, sem a insensata e indescritível vontade de ser, estar, pertencer, possuir. Paixão por além de uma noite, além de uma cama, além de uma transa, além do prazer. Paixão que vem das vísceras, que vem do olhar.
Ele e ela, uma eterna e inconcebível incompatibilidade genética e genérica. E não levem em consideração os que dizem que os opostos se atraem, pura ilusão, os opostos se distraem, os dispostos se atraem. Extremos contrastantes, sem paixão, sem disposição.
Voem longe, meus passarinhos, sejam mais, e sejam menos, abram suas asas, soltem suas feras, caiam na gandaia, entrem nessa festa que é viver. A vida pode não ser fácil, e acredite, não é, mas ela é uma só e o único jeito que a gente tem é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo. Vamos, coragem, sem mais nenhum adeus disfarçado de até logo mais, que seja às claras, sejam honestos, não há mais ao que se prender, a unidade é fragmento. Não é o fim, mas é final, nesse amor não cabem mais vírgulas, esses são os frutos. O mundo só anda pra frente e a gente não avança sem deixar um monte de coisas para trás. Façamos as asas criarem raízes.
Voem longe, meus passarinhos, sejam mais, e sejam menos, abram suas asas, soltem suas feras, caiam na gandaia, entrem nessa festa que é viver. A vida pode não ser fácil, e acredite, não é, mas ela é uma só e o único jeito que a gente tem é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo. Vamos, coragem, sem mais nenhum adeus disfarçado de até logo mais, que seja às claras, sejam honestos, não há mais ao que se prender, a unidade é fragmento. Não é o fim, mas é final, nesse amor não cabem mais vírgulas, esses são os frutos. O mundo só anda pra frente e a gente não avança sem deixar um monte de coisas para trás. Façamos as asas criarem raízes.
"Uma história de amor nunca é simples, e nunca acaba, mas tem seus pontos finais...".
ResponderExcluirJá abriu o texto com chave de ouro, meu velho?
Que feliz te ver de volta, sério. Ainda mais com essa história de amor que - suspeito - imita um pouco a vida... você tá ficando cada vez mais apurado na escolha das palavras. E eu estou muito orgulhosa. E feliz por ter insistido em você, né?
"nessa vida nada sobrevive sem uma boa dose de loucas e arrebatadoras paixões, sem a insensata e indescritível vontade de ser, estar, pertencer, possuir. Paixão por além de uma noite, além de uma cama, além de uma transa, além do prazer. Paixão que vem das vísceras, que vem do olhar".
concoooooooordo!
vem cá, será que eu interpretei esse casal protagonista da forma certa ou é só mera coincidência? =XXX
Lindo... simplismente lindo!
ResponderExcluireu me arrepiei em trechos, chorei, pensei...
pra que mentir, fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor... nossa só me passava essa música na cabeça.
cara, você foi muito intenso, foi muito verdadeiro e angustiante.
;)
Pois é! Uma história de amor nunca é simples! Adorei o texto! Cada vez melhora! E o designe do blog... Nossa! Maravilhoso!
ResponderExcluiracabam sim... quando se tornam rotina
ResponderExcluireh, essa história d ki os opostos se atraem só é verdade em novela!
ResponderExcluirhttp://www.diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com/
visita o meu blog? me dá esse prazer ;)
Adorei o texto. Realmente "o amor que se recebe não é, nem nunca será igual ao que se dá".
ResponderExcluirE quem é que disse que a vida era fácil ?
ResponderExcluirO que ajuda é a forma como cada um a vive, isso certamente diferencia muito.
Dizem que as coisas mais especiais estão nas mais simples, certamente você faz juz a esta citação. Fiquei até arrepiada ao ler ;)
Parabéns pelo bom uso das palavras.
Cara, gostei muito do texto! Não por uma questão de concordar com o que disse, mas pela disposição, como você diz. Ele não abriu mão de todos os seus desejos, acho impossível. Como você disse, ele queria agrada-la, então era o seu desejo fazê-lo. ALgumas boas reflexões sobre o amor, sem tom de desfecho e sem explicações racionalistas. Uma relação em aberto. Opostos, iguais, unidade, atração...acho que somos muitos fragmentos, e mais fragmentos com os outros e somando sempre sem chegar ao fim da conta. Enfim, nem sei mais o que dizer. Sei que gostei e vou seguir.
ResponderExcluirAbraço e continue escrevendo.
Nooossa muti bom esse texto, adooorei.
ResponderExcluirConcordo com tudo.
Os opostos de atraem ? Nem sempre hein .
Passa lá depois?
http://jooymartins.blogspot.com/
beeeeijos
O que eu iria dizer era exatamente "Os opostos se atraem", e então você diz "Os opostos se distraem, os dispostos se atraem" e tem toda a razão do mundo.
ResponderExcluirIncrível, adorei.
Primeira vez que venho aqui e esse texto me fez chorar.
ResponderExcluirTão lindo que nem sei o que dizer! Me identifiquei, me emocionei, me apaixonei por suas palavras.
Esta de parabéns!
Beijos