8 de junho de 2011

Olhos meus


Sempre é mais simples estar do outro lado do espelho. Fácil entrar nesse jogo, rir com as regras, brincar de gente grande, difícil ganhar, impossível não perder. Afinal de contas quem mede a facilidade?
Quase um dom, ser camaleão, se camuflar, adaptar-se as mais diversas situações, passar despercebido, simplesmente... passar. Sempre fui de colecionar sentimentos, decepções, amores, falsos amores, carinhos, e demonstrações públicas de afeto. Acumulei fingimentos, quereres e posses. E o que era verdade? Moldando-se de acordo com as vontades, e alardes. De quem? Pra quem? Por quem?
Dançando conforme a música. Suavizando feridas, remoendo angústias, sempre inadequadamente adequado a situação.
Nem havia razão de se importar com nenhuma palavra, sussurro, gesto, sorriso, ou olhar. Difícil até de reparar. Andava tão à flor da pele que questionava o valor, e somente seduzia, digo, deduzia: nada importa! Quem se importa?
Doía, doía saber que cada palavra esbravejada ali, morreria ali. Sem sentido sentido algum, pra ninguém, ou quem sabe um certo alguém. Nada a se dizer, nada a se ouvir, absolutamente nada a sentir. Só?! Nada?!
Apenas mais uma jogada, mais uma peça roubada, quase...
Animais! Só poderia desejar escapar daquela jaula. Gaiola lotada de loucas e loucos que roubavam o ar, a paixão, o querer, roubavam cada sopro de vida.

Querem que eu siga simulando, e dissimulando, engolindo a seco aquilo que sequer deveria existir. Fazendo jus a hipocrisia, hipocrisia de lei, hipocrisia é lei nesse lugar, mas disso você entende bem, porque até pode ocultar, mas infelizmente, eu conheço cada recalque desse seu decalque. Cansei de me apaixonar e desapaixonar, decepcionar, cansei de falar e de tentar. Cansei de recomeçar, cansei de acreditar. Não que não tenha sido válido, foi. Se foi... Cada mulher que passa em minha vida me caleja um pouco mais. Cada sentimento, cada palavra, cada olhar maldoso, cada insinuação, irritação, e insistência, me calcifica esse músculo que nem late mais, nem dói. E na verdade já nem existe mais.

A comédia está na forma que se compra - mas não se importa - cada palavra jogada ao léu, mas não, isso não se trata sobre um alguém, não trata de ser específico, direcionado, objetivo, não é a intenção, sequer trata de ser. O interesse é fugir, fugir do tal lugar comum, do tal alguém comum, fugir da sua redoma, se é que há algum interesse, e se interessa fugir.
Pessoas mentem, e eu minto?! Agora?! Antes?!
Onde guardar esse grito revoltado, esse desespero acuado, o que fazer dessa despedida? Nem conseguimos manter as velhas aparências, manter-nos de pé, cansou, cansei. Esse basta que a muito tempo não basta, e me consome.
No fim das contas a criança ainda sou eu, o viadinho sou eu, o sonso, dissimulado sempre serei eu.
Será?
Xeque Mate.

5 Sincericídios:

  1. Os olhos são o espelho da alma. Existem os dissimulados, os alegres, os tristes, os tristes que parecem alegres, alegres que parecem tristes, confusos, aparentemente convictos... São tantos que não apenas veem, presenciam, participam, mas podem colaborar ou não com os acontecimentos... Há aqueles que dizem:"ah, se meus olhos falassem..." , mas eles falam! A prova está aqui neste texto do blog DOLIPO.

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  2. Olhos falam, mas nem todas as pessoas conseguem lê-los.

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  3. Gostei do texto... fala sobre sobre nossas adpatacoes as diversas situacoes, fala sobre nossas adaptacoes as decepcoes... fala sobre a complexididade que eh o nosso poder de dancar conforme a musica... afinal, somos multifacetados. Parabens. x)
    Ps. Tou sem acento. rs

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  4. Obrigado pela força, seguindo aqui também.

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  5. Gostei do seu blog, parabéns!!
    www.poeiraeboanoite.blogspot.com

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Mentiras sinceras, me interessam...