Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2011

Aurora

A essa altura, fechar os olhos e fingir não deveria ser uma saída. Deito, me reviro do avesso, procuro no silêncio da madrugada as respostas para as perguntas acanhadas que vão sendo esquecidas dia após dia, e mais um dia fogem. Procuro me enganar, fugir, fingir. Tentando me convencer de encontrar liberdade em solidão, de que preciso ser só para ser livre. Insensata necessidade de romper, partir, destruir mundos, este é o fim. Justificam-se os meios, não os medos. A madrugada escura me amedronta, me traz de volta ao vazio, me leva a consciência e põe de volta um algo estranho no lugar. O mundo revira por entre meus lençóis, trazendo de volta meus devaneios, minhas ilusões, memórias borradas, rasgadas, de um lugar adoravelmente desconhecido, refletido no brilho das estrelas caídas sob a terra molhada. E logo penso “Já estive aqui”. Não consigo dormir, e já nem sei se quero o que quero. Tantas coisas e nada, tantos simples. As paredes caladas nem me ouvem mais, já não há o que fazer, n…