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Amiúde


Perguntaram por onde andei, caminhei pelo tempo. O tempo todo não foi tempo demais, era pra sempre, mas o pra sempre sempre se vai. Entre becos e favelas, perdi as palavras, por entrelinhas e canções, perdi a razão... As palavras sempre escapam quando se fala de verdade. Não me repito no verbo, vou fazendo coerências, fingindo que alguma coisa por aí faz algum sentido. No mais, o mais do mesmo fica por sua conta em risco. Risco de se encontrar, no olho da tormenta e se salvar. É o que te define, destaca, frustra? Vai lá e diz pro mundo cair por aqui, diz que o sol ainda gira lá fora. Enquanto o asfalto ferve, pulo de nuvem em nuvem. Aqui dentro tá frio, meu peito, a ponta de um iceberg. Perdão pela falta de jeito, de tato, não tenho o costume, o princípio me basta. Sou bicho bruto, estrangeiro, filho da selva, selva de pedra. Bastardo do concreto, mundo afora dizem-me abstrato. Agora sou eu quem digo, cai mundo, bem aqui na minha mão, desce das costas que já tá pesado por demais.

Comentários

  1. E nessa loucura, cada um do seu jeito, vai levando sua vida ;)

    Adorei sua visão dos caminhos de cada um, mas louco e real impossível!

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  2. Texto atual e perfeito para mim também, pois me sinto da mesma forma, filha da selva de pedra...Quero mais tempo. Preciso desse tempo, cada vez mais precioso e necessário.
    Beijos.

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  3. Muito bom o texto; traz a noção de uma transitoriedade ininterrupta, de um dito fugaz, da impossibilidade da certeza do caminho e da procura pela busca de sentido que não há. Bem filosófico, bem poético.

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