Pular para o conteúdo principal

Adapte-me



Você me diz não, com olhos de bem-me-quer. Espera que já vou. Fixação. Doce ilusão. Engano dos sentidos, faculdade de entender. Brinca comigo e faz de mim o que bem quer, o que bem quero. E você quer, agita e usa.Vira meu mundo ao avesso, põe tudo de pernas pro ar, provoca, desdobra, e desvira. Toca os pés com as mãos, o céu com o coração. Balança, mas não cai, outro gole e se refaz. Um toque, um passe, outro impasse. Olha torto, revira os lençóis, tenta me afogar, e no fim só quer me afagar. Vai decifrando os sinais, em meus erros mais banais, em cada traço, cada rosto. Sabe que é dona... Proibida pra mim. Tenta persuadir, caminhando por trilhas de quem quer se convencer. Você passa, você olha, você chama, faz que manda, e perde a linha. Sei de cada sombra da tua voz, de cada capricho teu, o que não dizes, e preferes calar. Sei-te de cor. Te estudo, de longe, de perto, cada vez mais perto, sem um centímetro de culpa. Apenas um milímetro de paixão. Vai se abrindo, soltando as rédeas, derramando as pétalas, caindo em queda livra por aí, bem aqui em meus braços, desmoronando em meu chão. Viro passarinho, desperdiçando teu fel, devagarzinho, flor em flor. Aí você ri, diz que vai embora, dá tempo ao tempo, vira outra xícara, e fica... Sempre fica, pelo café, ou por mim?.

Comentários

  1. Ai que orgulho do meu Su! Seu estilo tá tão bem definido, tão você! Gosto dessas suas descrições seguras e ao mesmo tempo inseguras. Tudo o que diz respeito ao coração é assim. Mantenha isso aqui sempre novo, okay?

    (post novo no meu tbm ;))

    ResponderExcluir
  2. amei.

    não, não é só pelo café.

    até.
    bjo, bjo, bjo...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Há tudo a perder. Sincericide-se

Postagens mais visitadas deste blog

Gatilho

Aí está a história de um homem. Era uma história muito engraçada, não tinha enredo, não tinha nada. Um homem que a única certeza que tinha era as incertezas que o movia, perguntas sem resposta, inseguranças sem razão. E seu maior medo, a falta de certeza, não ter razão. Queria voar sem tirar os pés do chão. Ver além, através. Colher certezas, ouvi-las. Por isso ele andava. Caminhava pelos dias, passeava pelas horas, via o que não se vê, de olhos bem abertos, dizia o que não devia ser dito, sentia o indizível, se acreditava impossível. Tanto quanto impulsivo, expansível, imprevisível. Dava a cara a tapa. A cara, a face, a outra, o corpo, a alma e o coração. De tanto apanhar perdeu o medo. Doer, doía, mas fazia parte. Se atirava em cataratas, enquanto buscava o tédio das águas mansas. Falava de si com a destreza de um bom conhecedor. Falava. Falava quando só precisava ouvir. Buscava. Devoto de Nosso Senhor Jesus Crítico, se dizia too cool, e se morria e se matava a cada novo soluço. Nã…

Metonímias e Aliterações

Passeio pelas estações ouvindo grunhidos repetitivos semi nocivos, até que me pego cantarolando trechos de uma música qualquer daquela dupla pop que ninguém lembra o nome, o rosto, ou a poesia, não que fizesse alguma diferença. Hoje eu acordei olhei no espelho e não me vi. Horas a fio, o celular ferve por entre as mãos, silencioso e inquieto. Ensaiei centenas de maneiras de dizer um simples Hello, i want you let me jump in your play, mas me perdoe se eu não sei jogar, ou se talvez o saiba além das regras que insisto em (não) quebrar. Um joguinho é até divertido quando você está por perto. Penso que irei dobrá-lo, deixar me bater, vamos lá, querido, fique mais um pouco. I'll get him hot, show him what I've got. Revezo em encarar aqueles olhos, desejar aquela boca, e decifrar todos os teoremas fundamentais do universo. E daí que minh'alma segue num loop involuntário, divagando em diferentes infinitos... 
I need a hit, baby gimme it, it's dangerous I'm loving it, balb…

Alumínio

Sou desses que ousa dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi calar. Enquadro em palavras e esquadrias fragmentos de absurdo abafados, suspirando os abusos. Nadando contra-corrente, incoerente, metendo os pés pelas mãos. Um. Dois. Três. Olhe bem para trás, e sem pensar em nada, pense no que realmente importa. Jogado no campo, fitando seus olhos, pergunto baixinho o que se ouve quando todos os ruídos calam? Quantas teses e antíteses nos trouxeram até aqui? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio por entre a sala de jantar, desenho um cigarro no ar, chá entre as pernas, mas algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens de bem, agora habitam nossos silêncios, justo quando o mundo pede um pouco mais de alma. Será que o tempo parou ou a gente que não viu? Nessas noites, desses muitos quere…