A admiração e o respaldo dados, em vão, a ti, jamais voltarão, e eu sequer peço nem mais um segundo de atenção, tudo que tinha de ser dito, ficou pra trás, em breves espasmos intercalados de abismos silentes. Hoje somos eu, você, e tudo aquilo que restou. Nossas regras falharam, nada mais funciona nesse jogo do siso, nesse eterno vai-e-vem de quem se joga primeiro do precipício. Eu fujo da raia. Tudo pela chance de manter a hombridade e a coragem de pôr a cabeça no travesseiro todas às noites, e dormir sem ter medo de me arrepender seque por um instante, nem cogitar fugir da responsabilidade dos meus atos. Se tivesse a chance de fazer tudo diferente, acredite, eu não faria. Erraria os mesmos erros, choraria as mesmas lágrimas, sorriria os mesmos risos, amaria as mesmas pessoas que me negaram amor. Não me entenda mal, eu apenas percebi que cada gota do sangue e do suor derramados na batalha, construiu este que vos fala, e fizeram de mim um homem. Desconsidere minhas últimas palavras, e toda a bagunça que fiz.

Desconsiderar as últimas palavras forma uma complexidade interessante frente a tal responsabilidade dos próprios atos. O ir e o vir, o traçar e o desistir, o dizer e o desdizer, tudo é, no fim, uma afirmação de algo. De algo que vai tentando se firmar, mas que tem por natureza uma errância orgânica.
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