Pular para o conteúdo principal

Reza Vela

Eu tenho medo.
Medo do meu reflexo no espelho. Das voltas que minha sombra dá.
Tenho medo do balanço do fogo, da cera da vela. Medo das madrugada.
Tenho medo de abrir a porta, e de continuar trancafiado aqui, sem ar, sem luz.
Me tremo só de bater os olhos, num lance, cada feixe, cada vulto...
Tenho medo de pensar, de um dia acordar.
Tenho medo de olhar pra frente e enxergar meus pecados, meu erros. Tenho medo de encarar meus desafios. Medo de escolher, e errar outra vez.
Tenho medo de voltar a confiar. Tenho medo de acreditar.
Até o mês passado era você quem me dizia que tudo isso faria sentindo.
Tenho medo de não poder falar, não ter o que falar, pra quem falar.
Aonde esta você agora além de aqui dentro de mim? Já dizia algum estúpido lúcido.
Tenho medo de não sentir mais. Tenho medo de nunca mais poder te tocar, te pegar em meus braços e fingir que tudo isso não existe.
Tenho medo de parar, e nunca mais conseguir retomar o caminho. E se as palavras me fugirem? Será que você ainda estaria aqui?
Tenho medo, um medo imenso desse medo, e encarar mais por mais um instante é queimar nossos nós.

Comentários

  1. eu gostei muito da sua perspectiva sobre o medo, pq. nós seres humanos temos medo de tudo isso, e ainda assim vivemos com ele...

    belo texto

    http://www.pequenosdeleites.com.br

    ResponderExcluir
  2. Lipe, já disse mais de uma vez, mas hei de repetir: VOCÊ É O CARA!

    ResponderExcluir
  3. Vamos mudar o medo, para o sentimento da coragem, de arriscar, de tentar, de falar, de fazer, de viver....
    Beijos no coração.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Há tudo a perder. Sincericide-se

Postagens mais visitadas deste blog

Metonímias e Aliterações

Passeio pelas estações ouvindo grunhidos repetitivos semi nocivos, até que me pego cantarolando trechos de uma música qualquer daquela dupla pop que ninguém lembra o nome, o rosto, ou a poesia, não que fizesse alguma diferença. Hoje eu acordei olhei no espelho e não me vi. Horas a fio, o celular ferve por entre as mãos, silencioso e inquieto. Ensaiei centenas de maneiras de dizer um simples Hello, i want you let me jump in your play, mas me perdoe se eu não sei jogar, ou se talvez o saiba além das regras que insisto em (não) quebrar. Um joguinho é até divertido quando você está por perto. Penso que irei dobrá-lo, deixar me bater, vamos lá, querido, fique mais um pouco. I'll get him hot, show him what I've got. Revezo em encarar aqueles olhos, desejar aquela boca, e decifrar todos os teoremas fundamentais do universo. E daí que minh'alma segue num loop involuntário, divagando em diferentes infinitos... 
I need a hit, baby gimme it, it's dangerous I'm loving it, balb…

Gatilho

Aí está a história de um homem. Era uma história muito engraçada, não tinha enredo, não tinha nada. Um homem que a única certeza que tinha era as incertezas que o movia, perguntas sem resposta, inseguranças sem razão. E seu maior medo, a falta de certeza, não ter razão. Queria voar sem tirar os pés do chão. Ver além, através. Colher certezas, ouvi-las. Por isso ele andava. Caminhava pelos dias, passeava pelas horas, via o que não se vê, de olhos bem abertos, dizia o que não devia ser dito, sentia o indizível, se acreditava impossível. Tanto quanto impulsivo, expansível, imprevisível. Dava a cara a tapa. A cara, a face, a outra, o corpo, a alma e o coração. De tanto apanhar perdeu o medo. Doer, doía, mas fazia parte. Se atirava em cataratas, enquanto buscava o tédio das águas mansas. Falava de si com a destreza de um bom conhecedor. Falava. Falava quando só precisava ouvir. Buscava. Devoto de Nosso Senhor Jesus Crítico, se dizia too cool, e se morria e se matava a cada novo soluço. Nã…

Alumínio

Sou desses que ousa dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi calar. Enquadro em palavras e esquadrias fragmentos de absurdo abafados, suspirando os abusos. Nadando contra-corrente, incoerente, metendo os pés pelas mãos. Um. Dois. Três. Olhe bem para trás, e sem pensar em nada, pense no que realmente importa. Jogado no campo, fitando seus olhos, pergunto baixinho o que se ouve quando todos os ruídos calam? Quantas teses e antíteses nos trouxeram até aqui? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio por entre a sala de jantar, desenho um cigarro no ar, chá entre as pernas, mas algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens de bem, agora habitam nossos silêncios, justo quando o mundo pede um pouco mais de alma. Será que o tempo parou ou a gente que não viu? Nessas noites, desses muitos quere…