Dia estranho. Cara estranho.
Uma estranha sensação de depressão se apossando daquela
falta de sentido.
Sentimento forasteiro, banal, de algum tipo qualquer de
problema sem resolução. Era um nada a mais fora do lugar comum. É mesmo tudo tão
comum, tudo muito bom, tudo muito bem.
A mesma velha
bipolaridade, e o receio de que a fossa explodisse e toda a merda batesse a
porta. Pânico.
O dia inteiro com a voz amarrada, a garganta arranhada,
estranhando até mesmo as tintas e os azulejos do quarto, da cozinha e da sala
de estar. Tateando, timidamente, no escuro do meio dia, buscando encontrar
vestígios de hombridade e coragem, e quem sabe destruí-los dolorosamente, pouco
a pouco.
Eu aqui de fora encarava fixamente aqueles olhos vidrados,
azuis, verdes, castanhos, como se fizesse alguma diferença. Eram belos,
gélidos, distantes. Sentia o sangue se esvair, por
um segundo estacionar, retomando um caminho rebelde, ardente. Segurava-me pelos pés
enquanto deixava roubarem-me o fôlego.
Aos meus, aqueles escancarados a minha
frente, escandalosos, aos dela. Não bastando meteram-se na teia, as aranhas e os
ratos, intrometidos, que sequer haviam sido convidados para aquela orgia marginal, foram se chegando, e se
apetecendo, pondo à toda prova aquelas certezas incertas, todo o tesouro de uma
vida, vendo o circo entrar pela janela e se armar bem na sala de estar. Eu quero ver tv.
O pensamento voava longe, pensando nela, pensando nele, e
tinha a outra, e o outro, e todos os outros e outras. E eu, que nem estou no
Canadá? Parti... Ontem, antes de ontem, antes de mim, semanas, meses, segundos, passado,
passando, sobrando-me o agora, e o próximo instante, e todos aqueles fantasmas
e personagens, levando-nos de volta aos meus uns e outros, e outras. Já foi, já
era.
Com certezas cada vez menores, verdades cada vez mais
falsas, segredos cada vez mais sujos.
Já foi, já era.
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Mentiras sinceras, me interessam...