20 de janeiro de 2012

Sober


Dia estranho. Cara estranho.
Uma estranha sensação de depressão se apossando daquela falta de sentido.
Sentimento forasteiro, banal, de algum tipo qualquer de problema sem resolução. Era um nada a mais fora do lugar comum. É mesmo tudo tão comum, tudo muito bom, tudo muito bem.
A mesma velha bipolaridade, e o receio de que a fossa explodisse e toda a merda batesse a porta. Pânico.
O dia inteiro com a voz amarrada, a garganta arranhada, estranhando até mesmo as tintas e os azulejos do quarto, da cozinha e da sala de estar. Tateando, timidamente, no escuro do meio dia, buscando encontrar vestígios de hombridade e coragem, e quem sabe destruí-los dolorosamente, pouco a pouco.
Eu aqui de fora encarava fixamente aqueles olhos vidrados, azuis, verdes, castanhos, como se fizesse alguma diferença. Eram belos, gélidos, distantes. Sentia o sangue se esvair, por um segundo estacionar, retomando um caminho rebelde, ardente. Segurava-me pelos pés enquanto deixava roubarem-me o fôlego.
Aos meus, aqueles escancarados a minha frente, escandalosos, aos dela. Não bastando meteram-se na teia, as aranhas e os ratos, intrometidos, que sequer haviam sido convidados para aquela orgia marginal, foram se chegando, e se apetecendo, pondo à toda prova aquelas certezas incertas, todo o tesouro de uma vida, vendo o circo entrar pela janela e se armar bem na sala de estar. Eu quero ver tv.
O pensamento voava longe, pensando nela, pensando nele, e tinha a outra, e o outro, e todos os outros e outras. E eu, que nem estou no Canadá? Parti... Ontem, antes de ontem, antes de mim, semanas, meses, segundos, passado, passando, sobrando-me o agora, e o próximo instante, e todos aqueles fantasmas e personagens, levando-nos de volta aos meus uns e outros, e outras. Já foi, já era.
Com certezas cada vez menores, verdades cada vez mais falsas, segredos cada vez mais sujos.
Já foi, já era.

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