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Camila,



Como vai você? Eu preciso saber da tua vida, peço a alguém pra me contar sobre o seu dia, amanheceu e eu preciso só saber, como vai você?
É assim que se começa uma carta? De certo modo, sinto que essa é a única maneira que encontrei de ser ouvido. Você sumiu, se encontra tão distante e inacessível. Como chegamos a esse ponto? Quando nos tornamos dois desconhecidos?
Nos últimos dias, sempre que precisei falar você escapou, talvez você tenha medo de me ouvir e continua insistindo em fugir, valendo-se de um falso direito de modificar as vidas ao seu redor e partir, esquivando das responsabilidades, da coerência.
Zero, anos depois, voltamos a ele. Do nada viemos e ao nada voltamos, o mesmo início e o mesmo fim, simultâneos. Já nem adianta estancar as feridas abertas e pulsantes, independentemente das razões que nos trouxeram aqui, agora, nos interessa mais as soluções, o caminho de volta. E faremos assim, como quiser...
Palmas e arrepios a parte, este retrato me assusta, aflige, muito mais que assusta. E o depois? Frustrante. Frustrante não atender – e entender – teus silêncios. Custa calar, custa ceder, custa fingir, ainda que toda a platéia saiba onde darão os finalmentes. É justo seguir nesse enredo? Titubeando, escancarando as feridas a torto e a direito,  se enroscando cada vez mais nos arames farpados dessa cerca viva, é justo?
E agora, nesse instante, onde está Roberto? Não foi ele quem disse “Pare! Pense! Olhe que esse dia já vem! Pare pra pensar, pense muito bem, olhe que esse dia já vem!”?
E toda essa matemática foi o bastante? No fundo não vale para nenhum de nós, e eu sou sempre o primeiro a cair, ainda que sempre olhe pros dois lados antes de julgar, de me manifestar, ou pra cruzar a rua. E pra mim, quem olha? Quem há de preservar meus sentimentos, minhas razões, meus instintos?
Não vale a pena, me faz mal, e no final nós somos mesmo os melhores dos melhores do mundo em cometer os mesmo erros, e isso não vai mudar até alguém encontrar outro jeito de amar.
Veja com quem tu vai andar, se dá pra confiar em todos os sentidos. Ame, quem você quiser, não vá se machucar, e não se esqueça de avisar... 
Tudo!

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