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Aquarela



"De repente a gente acorda antes da hora, com uma história que não quer dormir. De repente alguma coisa diferente, alguma coisa feita para se sentir." Feito gota. Pura imensidão no vazio, vazio na imensidão. Fugindo, rindo, indo, desaparecendo, sem destino, sem confusão. Misturado-se. Enganando-se. Perdendo-se. Prendendo-se. Caindo, de novo, outra vez, despencando nesses poços de águas, turvas, oceanos perdidos, partidos, olhos rígidos, frígidos, cheios dum nada, vazios dum tudo, batendo lata com lata, nada com nada. Passos firmes num caminho, em direção ao que não foi escrito. Partindo em duo, dividindo em dois, escorrendo entre meus dedos, secando minha boca. Soprando à ventania. Desafiando. O tempo voando, num instante tudo para, acaba. Tentativas vãs de ser o que faltou ser, percorrendo estradas iguais, vivendo dias iguais. Sem jeito, voltar-se à casa, perder-se no tempo, se mandar desse estado, mudar de canal. Salvaguardar-se. Buscando por um esconderijo, ou algum manuscrito, que sabe em algum lugar, que de tão comum, seja meu. "Sem paradeiro, sem rumo, sem dica, sem direção. Sem solução, sem soluço. Sem confusão. Sozinho e sem destino, sem tino vou ficar. Soltinho feito um menino sem ter com que preocupar."


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