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Folia & Caos

A pouco do amanhecer, algumas horas, do lado de cá o tempo parece rodar num compasso adiantado, meio acelerado, os ponteiros simulando movimentos frenéticos, alucinados como num paraíso paralelo. Passa mais um dia sem ter o que fazer, vivendo de folia e caos, vivendo de ócio. Mais uns minutos sentindo a terra fria e molhada, sentindo a chuva escorrer pelos dedos, enquanto a lua divide espaço com a estrela, os raios do pôr do sol cumprimentam os do amanhecer. Cansado demais, exausto a ponto de não querer manter os olhos abertos, o coração pulsando, e um sorriso bobo. Fugi pra esse país pra buscar qualquer outro lugar, qualquer outra razão pra tentar ser feliz, sentir vontade de voltar, mas sempre me perco dos grãos de areia espalhados ao longo da beira do mar. Do lado de cá o vento sopra forte, misturando pensamentos e sonhos, certezas e fraquezas. Do lado de cá nada é mais igual, logo quando tento vida nova. Uma vida de certezas e vontades, uma ilusão, um tédio. Não sei viver de uma só forma, ser um só, dá uma preguiça, fica faltando um pedaço. Solidão que não vai embora, imploro pra ficar mais um pouco, não há o que temer nesse pavilhão de espelhos, o que resta quando apagam-se as luzes são reflexos do que não se faz questão de esconder. É preciso voltar à metamorfose, ambulante, cigana, obliqua e dissimulada. Lutando contra as raízes que teimosas não param de nascer. Mas o "se" me persegue, não leva o sono, deixando olhos vidrados ao fim, abrindo a ferida, até secar, até sarar, fazendo doer, até parecer mais humano. Do lado de lá é omde perco o controle, fora deste lugar incomum, não sou de mais ninguém, o coração repartido em pedaços, em vão, a cabeça conquista sem atar nenhum tipo de nó. As máscaras ficaram sobre a mesa. Papel, caneta, tinta e café sobre as maos, um bocado de lama e um punhado de dó, um tanto de drama e um olhar perdido, assim vou ouvindo vozes e construindo as personagens que aos montes vão se confundindo.


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Há tudo a perder. Sincericide-se

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