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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Ano Velho

Falar do tempo que passou parece ser minha especialidade. Como naqueles bares onde o prato do dia está sempre desenhado num quadro negro na porta, a diferença é que o prato do dia é o mesmo todos os dias.
A cada vez que me sento aqui, me reviro do avesso, destruo meu pedaço de chão, é como uma doença, um vício, prendo-me a isso que sequer parece fazer sentido. 
Escrever já não é uma opção, chorar nunca foi, é como se todos meus refúgios refugiaram-se de mim, pra longe, bem longe daqui, de mim, e tudo some numa súbita claridão, cegueira.
Andei apaixonado, ainda ando, quer dizer, deve de ser paixão, só isso justificaria essas atitudes banais, sem sentido, olhar nos olhos dela e tremer só de pensar que estou tão desarmado a ponto de ser quase transparente, visível. Me assusta, ser notado, mais até que não o ser. Deve ser medo de um dia ter todo esse amor retribuído.
Não me pergunte dos traumas de infância, corrego todos comigo, sobre os ombros, pesando cada dia mais, fazendo-me cair. E …