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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

Ao portador

Oi moço,
Boa noite, não sei se por aí ainda é noite, ou se já é dia. Não faz diferença, li mais cedo que a noite é a mesma coisa que o dia, com uma tonalidade diferente, e a escuridão sequer é uma perda de visibilidade, é apenas uma mudança de tom. Há tempos esperava este encontro, essas palavras vinham sendo ensaiadas noites a fio, mas sabe-se lá por qual razão só agora dedico estas linhas ao senhor. Bem, acho que temos a mesma idade, então poderia poupar os formalismos?! Somos tão íntimos que isto se faz desnecessário, e torna esse momento ainda mais constrangedor.  Não, você não me conhece, ao menos não que eu saiba. Na verdade por mais íntimo que eu me sinta, eu também não o conheço. Só sei de suas palavras cruzadas, suas fotos borradas, suas meias verdades, seus neologismos. Estranharia se eu dissesse que parte de meus pensamentos tem sido habitada por você? Outro dia eu até sonhei com você. E foi tão real te ter perto de mim, ainda que por um único e breve instante. Não sei ao …

XXII

Ontem dormi me sentindo velho, cansado, com o peso do mundo sobre os ombros, o peso dos últimos 365 dias. Hoje se me perguntam, estou mais velho, porém mais leve. E nada tem haver com a sabedoria que a idade trás. Uma vela a mais em cima do bolo nada representa quando a alma é pequena. Trago comigo tantos sonhos e realidades. Lágrimas e sorrisos. Noites de insônia e versos borrados, trocados e uns tantos roubados. Eu só acho que essa noite poderia durar pra sempre. Luzes de neon pela cidade, livros espalhados no chão, DVDs arranhados, e quem diria que estaríamos aqui hoje cantando nossa história. E parece tudo tão certo. E de imaginar que a vida só está começando, e esse é o primeiro dia do resto de nossas vidas. Digam que sou louco por pensar assim. Se sou muito louco por eu ser feliz, mais louco é quem me diz... Rita, Rita... Não sei quanto a você, mas nos próximos 365 dias vou ser feliz. É minha resolução de ano novo. Um vida nova a cada novo dia. E que tudo mais vá pro inferno. A…

Roda Gigante

Não sei começar pelo verso. Meus dias parecem correr em prosa, dilacerando qualquer tipo de bom senso. Sou remendos de sentimentos. Horas e horas deitados no divã, sob análise, ainda assim, saio do plano, dessas linhas borradas. Me acostumei a errar, persistir no erro. Sou reincidente. Concerto os buracos aos poucos, amanhã, depois de amanhã, quem sabe mês que vem. Me concentrei em viver de desculpas, criando, pedindo, dando. Nunca soube muito bem como esquecer, nem como começar novos parágrafos. Um dom estilístico, essa vontade de ser etílico. Nasci falando, berrando, ainda hoje corre por entre carne e ossos uma necessidade de gritar, rachar o concreto, de ser ouvido pelo abstrato. E mesmo com as linhas óbvias, tento fazer algum sentido. Mas o mundo continua muito ocupado girando, girando, girando. E de tanto rodopiar, aprendi a ser invencível, enjoado e invisível. Silente, opaco e disforme. Aprendi a retribuir. Do nada apenas se nasce o nada, dum mundo de ilusões, toda uma vida. O …