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Mostrando postagens de 2014

Inquebrantável

Quantas luas já não vimos despontar no céu? Quantos sóis, quantas chuvas, quantos trovões... A gente liga e desliga. Num surto qualquer, percebe os vícios que a vida tem, os giros que a vida dá. Quem realmente sabe das coisas? Dos vultos que cercam os olhos?A vida diga lá meu irmão, é uma sucessão de tediosos fatos repetidos. E o poeta clama pelo veneno, o antídoto, a coisa. Anestesia. O mesmo som, um novo tom. Duas notas. Novos dons. E como se chama? A mesma história. Velhos roteiros. Novos personagens, as mesmas máscaras. Uma eterna reprise de novela das nove, que nem sempre vale a pena ver da novo. Estamos aqui, sãos e salvos, loucos e santos, abrigados em nossos abraços.

A certa coisa certa a se fazer

A partir da presente data o quadro funcional desta sociedade anônima - e limitada - passará por um árduo período de decomposição. Nenhuma visão pré-concebida se sustentará. Demissões em massa de amantes vagabundos que não me valem mais. Cortes no orçamento comprometerão os setores responsáveis pela gestão de mágoas, delírios e paranóias. Também serão excluídos dos quadros sorrisos e lembranças. Velhos amores que adquiriram estabilidade e/ou cargos de confiança deverão passar por nova prova de títulos, ratificando as razões de ocuparem seus postos atuais. O prédio e arredores passarão por obras estruturais. Toda e qualquer certeza deverá ser trocada de lugar. Raízes deverão criar asas imediatamente. Levará algum tempo, mas todas as gavetas serão arrumadas com novos amores, decoradas com flores, um solo da banda mais bonita da cidade e blá blá blá.

Do Verbo

Sabe, você tem muitos problemas. Bem… Você está certo. Gostaria de não estar. Que se pode fazer? Só sei sentir. Ter coração é ter problema. Coração não pensa, só pulsa. O seu achou de pulsar num ritmo estranho. Mas e se meu ritmo for assim? Estranho. Descompassado. Talvez você precise entrar num descompasso diferente. Talvez eu só precise de alguém que saiba andar errado junto. Talvez você tenha de aprender a andar sozinho antes. Mas quem não sabe andar só? Me arrasto comigo mesmo há quilômetros. Você e seu ritmo… Ah... Acho que a busca do outro só adiciona ao seu caminho um peso morto que só serve pra lembrar que está ali. É que nem dor no apêndice. Amor é que nem ressaca. Achei que era como um boi. Também. Um boi de ressaca. Uma ressaca de boi. (...) Você buscou algo que te tirava da sua zona de conforto. Pareceu bom. Instigou e inspirou. Mas como é típico das coisas que não são pra ser, não foi. Não foi. (...) É coisa de querer... Saudade de... Saudade do que não foi. E de tudo qu…

Nome Qualquer

Dias comuns quase sempre são tão comuns… 
Esta noite quando a insônia bateu à porta, hesitei em responder, sem qualquer cerimônia resolveu entrar. Duas, três, quatro horas, quem conta? Dividimos a mesma marca nos olhos, a mesma xícara de chá, os mesmos clichês. Olhos nos olhos, confabulamos sobre o infinito, e sobre como as coisas morrem. A graça de que tudo que é imortal não morre no final. Trocamos bilhetes rabiscados nos vazios de nossa pele. Provamos daquela ironia tão perversa, àquela que nos cabia. Terminamos sobre o carpete, bêbados e apaixonados, meio a gargalhadas estridentes, quase tímidas.
- Apenas acredite na simetria das coisas.
Concluímos que ambos abusamos de métodos equivocados. Você não precisa de fato abrir a caixa para ter plena certeza de que o gato está morto. Há fortes indícios para tanto. O gato morreu há tempos. Não faz o menor sentido abrir a caixa e encarar o tamanho do estrago. Não hoje, não agora. Simplesmente não, porque não. Não há o que se fazer se o ga…

Avenidas

Minha cabeça está desorganizada. Dá voltas e mais voltas. Um looping randômico constante. Preencho minhas horas pra não ter de pensar, não ter de sentir. A qualquer momento tudo estará de volta. Eu perderei o controle. O medo é meu fiel escudeiro, companheiro de vida. Ando em círculos, percorro as mesmas avenidas, encaro os mesmos letreiros, as mesmas velhas postagens. Campanhas de liquidação do verão passado. Me esforço pra lembrar o que fiz no verão passado, um riso amuado me escapa. Cruzo os braços, numa tentativa vã de proteger-me do sopro de vento frio que risca minha pele. Arrisco mais alguns passos e sigo pela fina trilha de lama e folhas, a única que por suas nuances difere de um todo. Recolho meias verdades, verdades e meia, que já desisti de entender. Repito a mim mesmo, em tom de provocação, não sou rebelde, eu tenho causa. À beira do abismo aguardo que me cresçam asas. A frustração me abate pelo estômago, fazendo com que a cada contração eu acredite mais e mais no que de …

Lilases

- Avise que chegou - eu avisei. - Culpa da chuva que molha. Marcamos desencontros, buscamos rimas, poemas, e algumas conchas esquecidas à meia luz, que dispersem num verso qualquer, lampejos da mais profunda incerteza. Vai ver seria melhor se não houvesse refrão nenhum. Toco a ventania. Trocamos bagunça. Compartilhamos caos. Fechamos gavetas. Abrimos janelas. Me peguei pensando em você. Aconteceu de novo. Te peguei pensando em nós dois. Crazy eyes. Revira os olhinhos quando encontra meu sorriso. Bobo. Não troco teu silêncio por qualquer solo de Jazz. Abro mão de longas orações, sem sujeito nem predicado, onde reste um único objeto, direto, intransitivo, substantivo, ou qualquer verbo ou desinência que nos tragam dias claros e noites longas. Insone, perturbo teu sono, teus olhos se abrem e brilham como estrelas, vagos, escuros como uma galáxia esquecida, um buraco negro. Em três movimentos, me perco das juras que fiz segundo atrás. Desenha borboletas em meu estômago, me tem em seus tra…

Das coisas

Olhos coloridos não irão me dizer que não existe razão. Serei aquele que ousará dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi falar. Enquadrarei em palavras fragmentos de absurdo. Essa corrente incoerente entre duas, três, quatro, cem almas. Olhe bem para trás, nada realmente importa. Fitando seus olhos, me perguntando o que você ouve quando todos os ruídos se calam? Quantas teses e antíteses nos separam? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio, cigarro na mão, café entre as pernas, algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens, agora disputam nossos vazios, justo quando o mundo pede um pouco mais de calma. Será que o tempo parou e a gente que não viu? Nessas noites, só necessito da sua ausência, mais que nada. Escuto por um instante aquilo que já não precisa ser dito. Nomes, endereços, t…

Canção pra você viver mais

Ele gostava de ouvir a chuva e de dormir com a cabeça apoiada no meu colo. Eu gostava de desenhar futuros contra o vidro embaçado da janela, como um arquiteto do inesperado, e de passar os dedos pelos cabelos dele. De vez em quando, nossos gostares coincidiam e passávamos madrugadas dividindo estes pequenos silêncios, entremeados pelos suspiros pesados dele e meus cochilos ocasionais – luxo a que os dias longos me davam direito.  De vez em quando, nestas noites acordadas, fazíamos amor. Ele enterrava o rosto no meu colo, o jeito dele de me dizer que estava acordado, e eu estendia o limite das minhas carícias dos seus cabelos até a base da coluna – ele não conseguia conter os arrepios. Não demorava muito até estarmos nus sob os cobertores, dançando em ritmos descompassados e, de alguma forma, complementares. A coisa toda começou numa noite que ele chegou em casa com os olhos nublados. Tentou disfarçar, alegou cansaço, mas a expressão dura e os olhos o traíram.

Rebentação

Maio já está no final, o que somos nós afinal? O que somos nós, nada além de nós. Emaranhados. Embaraçados. Embaçados. Fecho os olhos pra parar o tempo. Volto ao ponto em que esquecíamos nossos finais. Abro a gaveta, mudando as meias de lugar. Meias certezas. Meias verdades. Meias memórias. Meia vida. Meia taça. Giro ao redor, aparando as gotas que encharcam o teto. Gotas. Pingos. Lágrimas. Água ritmada, sincronizada. A chuva ainda cai, inunda. É maré cheia. As ondas brigam entre si, escoando as mágoas da última calmaria. O mundo gira. O prato gira. Pescoço vira. Olho revira. O prato para. O alarme apita. O silêncio volta. O silêncio grita. Outra vez. Coisas fora do lugar. Me apego a um livro qualquer. A garrafa, o papel, a caneta, em mãos empunhados. Armamento de guerra. O mar imerso em ressaca. Começo a me sentir em casa. De volta à zona de rebentação. Ergo um brinde a todas as palavras não pronunciadas. Esmago o coração e esbanjo promessas tolas de um futuro breve. Um amor maior. …

Imensuravelmente

Se hoje eu te dissesse que foi amor você ainda aceitaria? Olhando dentro dos seus olhos, passando por todas as memórias esquecidas. Lembro dos dias, horas e meses. Lembro dos anos. Marcas na pele. Um nome. Dois pássaros. Sonhos a dois. A sós. Escrevo em prosa, porque minha poesia se esvaiu. Pela sarjeta, por rios e mares, por teus olhos, no dia em que te vi repousar os ombros sobre mim. Olhando de fora perco-me das paralaxes. Agarro-me às tuas molas, às curvas do teu corpo, ao contorno dos teus olhos. Cigana obliqua e dissimulada. Capitu. Pagu. Monalisa. Tal qual, paralisa. Meu sobrenatural é o teu normal, teu simples é o meu absurdo, não há ciência aqui pra te resumir. E a cada novo sol, a cada nova chuva, estaremos sempre juntos, pelo segundo enquanto durar o infinito. Sempre que te fitar, lembrarei que já amei o mar.

À Mariana.

Nosotros

É desse jeito assim tão cru, tão meu que tento dizer o quanto gosto de você. O quanto te espero, noite após noite, dia após dia. Que meu coração pia só de pensar, que dirá em ver. É desse jeito, torto e afoito, que tento fazer você ficar por mais um minuto, quem sabe assim você não acaba ficando. Nós dois, retratos e recortes de um futuro e um passado. Sintonias delicadas, mal captadas. No escuro dos seus olhos vejo resquícios do menino que se perdeu, a aspiração do homem que desejo. E talvez, nessa teimosia, a vida nos recompense. Um beijo, ou dois. Uma noite, ou três. Você é como beija-flor em vôo. Me aproximo, e você voa pra longe.

Curta-metragem

Ainda não é meio dia. Acho. Com a certeza de um garoto suburbano criado entre asfalto, lama e concreto. Me perdi enquanto viramos refém das horas. Um senhor do tempo que não sabe se vai chover. Enquanto arrumo as malas enceno para as paredes cenas de um filme doutra era. Seus olhos percorrem em linhas retas as frases feitas das quais eu tanto fujo. Recolho o que sobrou em mim, lápis, caneta, uma dúzia de guardanapos rabiscados. E uma vida inteira pelas costas. Nunca escondi meu talento para ser invisível. Balbuciava em silêncio o roteiro de um curta metragem barato, independente, fadado a atingir meia dúzia de pederastas em salas de cinema pirata, de arte. Nunca escondi a existência de um infinito particular, uma realidade paralela de eus coadjuvantes, esbarrando entre si. Olhos de talvez. Plantei em mim essa vontade louca de sair na rua. Abraçar a moça bonita da padaria. Beijar o primeiro desconhecido que cruzar a esquina. Fazer uma declaração de amor pra ninguém. Sorrir para as es…

Brócolis

Você me pede outra história baseada em fatos reais. Dou de ombros e finjo não reparar no sorriso meio solto escapando pelo canto da boca. Nem bem chegou, revira as gavetas, rabisca as paredes, empilha os dados, perfura o silêncio. E eu que pensava ser só meu. - O que você quer? - Brócolis. Você aumenta o rádio, segue o som, finge não me ver. O farol se acende. A rua em movimento. Você levanta. Te seguro pelas mangas, quase em oração. Volta aqui, deita aqui, deixa eu te proteger, deixa eu te esconder. Não importa aquilo que criamos. Não importa o que fica do outro lado da porta. Você me encara com olhos de poeta pós-moderno, e de repente se torna tão difícil soletrar seus pensamentos. Deixa eu plantar uma muda de sossego nessa mente barulhenta. Deixa eu pintar o teu nariz e vamos brincar de ser feliz. Deixa as luzes te guiarem até em casa. Eu não vou tentar te consertar. Quando você irá cair em si? Quando você irá cair em mim? Mas você só ri das minhas histórias aleatórias, dos meus …

Clichê

Trinta segundos de monólogo roteirizado. Conversas de elevador, cada ditongo pronunciado vagarosamente em hiatos. Sílabas, suspiros, arrepios, sorrisos amarelos emoldurados em polaroides. Respostas sem perguntas, sem respostas. Palavras lançadas a esmo. Letras miúdas a serem visualizadas. Cuida dos teus desejos, eles costumam  brincar de realidade... Realidade, onde sonhos viram pesadelos. Quem há de controlar o inconsciente? Não é isso que tenho feito todo esse tempo? Algo mudou? Algo continua igual? Não tente entender. Fiz coisas fora de mim, coisas que seria capaz de repetir, se quisesse. E quero. Insisto. Repito. Quero você preso a um clichê. Coisas certas, razões erradas. Coisas erradas, razões certas. Te dou a única coisa que me falta, tempo.  Dancei tango no teto. Limpei os trilhos do metrô. Cruzei o mapa. Tirei a Terra de órbita. Desfoquei imagens. Tracei linhas borradas. Construí cidades, lendas urbanas, contos aleatórios, meias verdades, mentiras inteiras. A fábula de um ho…

Cícero

Sobretudo, tenho tanto a dizer. A página em branco chama, a caneta rolando por entre os dedos. Algo de impossível. Noutro dia me disseste que escrevia para não morrer. E quanto a mim? Não soube dizer. As vezes, os propósitos são os mesmos. De propósito a gente entende. Ora, ora. Vai ver é o inverso do que foi dito. Escrevo para matar. Fazer morrer essas pequenas células cadentes, renascendo das tintas. Escrevo para não esquecer. Cartas, bilhetes, telegramas, contos, postais. 140 caracteres. Perdoe meus neologismos e desaforismos. Existem razões. Há de ser sentido. Não há?! Sempre quis nunca precisar. Mas quem escolhe fazer um buraco no meio do céu?! Por entrelinhas, entre medos, entrementes. Devo ter perdido algo no meio do caminho. Pode ter sido uma pedra. Enceno neuroses, vejo vultos, um borrão no espelho trincado. Um reflexo. Vai. Escreve. Se dobra no papel. Espreme as águas. Fecha os olhos. Escreve. Inspiração não é como feijão, não tem todos os dias. Sobre tudo isso, eu tenho ta…

Plástico Metal

Daqui da janela do quinto andar já vi a banda passar. Já ouvi todas as canções de amor. Homens, mulheres, viados, sapatãs, indecisos, curiosos, ansiosos, de todas as raças, cores e ardores. Tudo junto, no domingo a caminho da praça, mostrando a pele pelo rasgo da calça. A jardineira já passou. A colombina nem chegou. O pierrot foi quem ficou. Vestígios de dignidade espalhados pelas esquinas banhadas de mijo. Me encolho, esquivando dos corpos suados, cabelos molhados, das bocas salientes, dos rabos excitantes. Mas é carnaval. We are carnaval. É pau, é pedra, é o fim do caminho. São as águas de março. Paredões de sons, fluidos e cheiros. O coração vai na boca, latindo alto, na batida do asfalto, sendo ouvido dos fundos do camarote. Segura. Protege. Não pega. Não faz. Se agarra. Se joga. Foge daqui. Escorrega dali. Me encontra aqui. Quanta estrela decadente. Toda essa gente careta, carente e covarde, se usando, e usando. Máscaras que já não são para esconder, por quatro dias, quatro par…

Alugueres

Estranho acabar assim, tão cedo, precário. A quem mais temos de enganar?

Levanto, agarro a mochila enquanto sou jogado contra a parede. Caio de costas na cama. É assim como tudo acaba. Como começa.

Nem bem cheguei, e o sino da igreja ecoa aos quatro cantos da cidade, nosso tempo acabou. Enganos, distrações e más interpretações, uma série delas. Esta noite é apenas mais um dentre tantos erros.  Ninguém coleciona tantos erros quando nós.

Ensaio um movimento para me cobrir, me toco, dou de ombros, e largo os pudores. Busco um último cigarro. Uma taça de vinho. Uma xícara de chá. Uma ventania. Abro a janela.

Quando te deixei entrar por aquela porta imaginei que seria simples lidar com isso. Quatro paredes. Uma sofá. Nós dois. Mas nada deveria ser tão simples. Construímos juntos cada rachadura no teto de vinil. Nada é tão simples. Ensaiei monólogos tresloucados, onde esbravejara seus erros, perdi noites em claro, encarei os meu erros. Maços de cigarro, jogado no sofá, vigiando seu corpo n…

Closer

Eu desejei coisas grandes. Eu quis ser grande. Mas talvez não tenha de ser assim, propriamente, grande. E quem irá dizer qual a medida da grandeza? Talvez já seja grande o suficiente, talvez seja o oposto.  E qual a grandeza de nadar contra a corrente. Loucura, ousadia, diversão. Quem irá dizer  E se ser pequeno já for grande o suficiente?  Talvez esses quereres arrojados não sejam/estejam conexos as necessidades fáticas. Talvez tais quereres não sejam precisões, ou não sejam quereres. Ou nenhum, nem outro, ou ambos.  Pode ser bom ser pequeno, quase que invisível, deve de ter suas vantagens. Dá pra olhar de perto, fazer desenhos, rabiscos, criar mundos paralelos. Ser infinito.  Não se trata de querer ser igual, as vezes é apenas uma questão de não ser. Sei lá, não sei se faz algum sentido, ou se há alguma intenção.  Talvez seja melhor continuar daqui, buscando vírgulas, exclamações, reticências… E deixando os pontos pro final.

Teorema

Se tem uma coisa que aprendi ao longo da vida é que não é preciso terminar um livro para começar um novo. As melhores histórias começam pelo fim, talvez seja esse o segredo, perceber que no fim, nada mais importa, nada mais pode ser feito, ou dito, ou escrito, ou sentido. No fim resta um livro repleto de páginas em branco, esperando ser preenchidas.  O segredo é se dar conta que mais relevante que o fim, é o meio, a jornada, porque como essa história começa qualquer um pode saber, como termina já não importa.  Então aquele famoso filósofo estava mais uma vez errado, os fins não justificam os meios, estes se justificam por si só.  Maquiavel, segundo o pai dos burros. Os burros que estão poupando espaço pro que realmente importa. Ah… os burros.  Até gostaria de ter grande histórias, memórias de uma vida plena, anos vividos intensamente, mas meu mundo gira mesmo é aqui dentro. Depois da meia noite, quando as luzes se apagam, a cidade dorme, e os barulhos do dia cedem espaço aso ruídos d…