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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Alugueres

Estranho acabar assim, tão cedo, precário. A quem mais temos de enganar?

Levanto, agarro a mochila enquanto sou jogado contra a parede. Caio de costas na cama. É assim como tudo acaba. Como começa.

Nem bem cheguei, e o sino da igreja ecoa aos quatro cantos da cidade, nosso tempo acabou. Enganos, distrações e más interpretações, uma série delas. Esta noite é apenas mais um dentre tantos erros.  Ninguém coleciona tantos erros quando nós.

Ensaio um movimento para me cobrir, me toco, dou de ombros, e largo os pudores. Busco um último cigarro. Uma taça de vinho. Uma xícara de chá. Uma ventania. Abro a janela.

Quando te deixei entrar por aquela porta imaginei que seria simples lidar com isso. Quatro paredes. Uma sofá. Nós dois. Mas nada deveria ser tão simples. Construímos juntos cada rachadura no teto de vinil. Nada é tão simples. Ensaiei monólogos tresloucados, onde esbravejara seus erros, perdi noites em claro, encarei os meu erros. Maços de cigarro, jogado no sofá, vigiando seu corpo n…

Closer

Eu desejei coisas grandes. Eu quis ser grande. Mas talvez não tenha de ser assim, propriamente, grande. E quem irá dizer qual a medida da grandeza? Talvez já seja grande o suficiente, talvez seja o oposto.  E qual a grandeza de nadar contra a corrente. Loucura, ousadia, diversão. Quem irá dizer  E se ser pequeno já for grande o suficiente?  Talvez esses quereres arrojados não sejam/estejam conexos as necessidades fáticas. Talvez tais quereres não sejam precisões, ou não sejam quereres. Ou nenhum, nem outro, ou ambos.  Pode ser bom ser pequeno, quase que invisível, deve de ter suas vantagens. Dá pra olhar de perto, fazer desenhos, rabiscos, criar mundos paralelos. Ser infinito.  Não se trata de querer ser igual, as vezes é apenas uma questão de não ser. Sei lá, não sei se faz algum sentido, ou se há alguma intenção.  Talvez seja melhor continuar daqui, buscando vírgulas, exclamações, reticências… E deixando os pontos pro final.

Teorema

Se tem uma coisa que aprendi ao longo da vida é que não é preciso terminar um livro para começar um novo. As melhores histórias começam pelo fim, talvez seja esse o segredo, perceber que no fim, nada mais importa, nada mais pode ser feito, ou dito, ou escrito, ou sentido. No fim resta um livro repleto de páginas em branco, esperando ser preenchidas.  O segredo é se dar conta que mais relevante que o fim, é o meio, a jornada, porque como essa história começa qualquer um pode saber, como termina já não importa.  Então aquele famoso filósofo estava mais uma vez errado, os fins não justificam os meios, estes se justificam por si só.  Maquiavel, segundo o pai dos burros. Os burros que estão poupando espaço pro que realmente importa. Ah… os burros.  Até gostaria de ter grande histórias, memórias de uma vida plena, anos vividos intensamente, mas meu mundo gira mesmo é aqui dentro. Depois da meia noite, quando as luzes se apagam, a cidade dorme, e os barulhos do dia cedem espaço aso ruídos d…