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Clichê



Trinta segundos de monólogo roteirizado. Conversas de elevador, cada ditongo pronunciado vagarosamente em hiatos. Sílabas, suspiros, arrepios, sorrisos amarelos emoldurados em polaroides. Respostas sem perguntas, sem respostas. Palavras lançadas a esmo. Letras miúdas a serem visualizadas. Cuida dos teus desejos, eles costumam  brincar de realidade... Realidade, onde sonhos viram pesadelos. Quem há de controlar o inconsciente? Não é isso que tenho feito todo esse tempo? Algo mudou? Algo continua igual? Não tente entender. Fiz coisas fora de mim, coisas que seria capaz de repetir, se quisesse. E quero. Insisto. Repito. Quero você preso a um clichê. Coisas certas, razões erradas. Coisas erradas, razões certas. Te dou a única coisa que me falta, tempo.  Dancei tango no teto. Limpei os trilhos do metrô. Cruzei o mapa. Tirei a Terra de órbita. Desfoquei imagens. Tracei linhas borradas. Construí cidades, lendas urbanas, contos aleatórios, meias verdades, mentiras inteiras. A fábula de um homem comum. E nessa brincadeira de bem me quer, mal me quer, quem se despedaça nem sempre são as flores. Nem tudo é como tem de ser. Mais de dois caminhos se cruzam nesta encruzilhada, nada é tão preto no branco, sequer são cores, ou outros tons de cinza num outono de flores caídas sobre folhas ríspidas. Daí quando a areia vira concreto, já não é qualquer onda que te derruba. Para o bem e para o mal, nessa tempestade de raios e de sons, é teu nome que eu canto.


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