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Das coisas


Olhos coloridos não irão me dizer que não existe razão. Serei aquele que ousará dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi falar. Enquadrarei em palavras fragmentos de absurdo. Essa corrente incoerente entre duas, três, quatro, cem almas. Olhe bem para trás, nada realmente importa. Fitando seus olhos, me perguntando o que você ouve quando todos os ruídos se calam? Quantas teses e antíteses nos separam? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio, cigarro na mão, café entre as pernas, algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens, agora disputam nossos vazios, justo quando o mundo pede um pouco mais de calma. Será que o tempo parou e a gente que não viu? Nessas noites, só necessito da sua ausência, mais que nada. Escuto por um instante aquilo que já não precisa ser dito. Nomes, endereços, telefones são irrelevantes. Pairamos além dos clichês.

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