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Lilases


- Avise que chegou - eu avisei.
- Culpa da chuva que molha.
Marcamos desencontros, buscamos rimas, poemas, e algumas conchas esquecidas à meia luz, que dispersem num verso qualquer, lampejos da mais profunda incerteza. Vai ver seria melhor se não houvesse refrão nenhum. Toco a ventania. Trocamos bagunça. Compartilhamos caos. Fechamos gavetas. Abrimos janelas.
Me peguei pensando em você. Aconteceu de novo. Te peguei pensando em nós dois. Crazy eyes. Revira os olhinhos quando encontra meu sorriso. Bobo. Não troco teu silêncio por qualquer solo de Jazz. Abro mão de longas orações, sem sujeito nem predicado, onde reste um único objeto, direto, intransitivo, substantivo, ou qualquer verbo ou desinência que nos tragam dias claros e noites longas.
Insone, perturbo teu sono, teus olhos se abrem e brilham como estrelas, vagos, escuros como uma galáxia esquecida, um buraco negro. Em três movimentos, me perco das juras que fiz segundo atrás. Desenha borboletas em meu estômago, me tem em seus traços. Pensamentos, suspiros e arrepios embrulhados para viagem. A noite que você passou só pra me ter.
- Meus dias são mais felizes quando te encontro - se justifica.
E num instante já temos um amanhã. Preso ao paleolítico, a 140 caracteres, ou coisa assim, você me segura pelo peito. Alucinados, confessamos em silêncio que nossos campos estão cheios de amor.
- Mas é segredo - balbucio.
- Okay.

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