Pular para o conteúdo principal

Inquebrantável


Quantas luas já não vimos despontar no céu? Quantos sóis, quantas chuvas, quantos trovões... A gente liga e desliga. Num surto qualquer, percebe os vícios que a vida tem, os giros que a vida dá. Quem realmente sabe das coisas? Dos vultos que cercam os olhos?A vida diga lá meu irmão, é uma sucessão de tediosos fatos repetidos. E o poeta clama pelo veneno, o antídoto, a coisa. Anestesia. O mesmo som, um novo tom. Duas notas. Novos dons. E como se chama? A mesma história. Velhos roteiros. Novos personagens, as mesmas máscaras. Uma eterna reprise de novela das nove, que nem sempre vale a pena ver da novo. Estamos aqui, sãos e salvos, loucos e santos, abrigados em nossos abraços.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Melodrama

We accept the love we think we deserve.
Mas daí acordamos numa manhã ensolarada qualquer - setembro, talvez dezembro, o dia não importa - e antes mesmo de levantar da cama achamos que merecemos mais. 
Em minha mente ecoa um pedido de paz, pode ser tua voz, ou a minha própria. Você fala o que precisa ser dito, com letras bonitas e palavras difíceis. Um soco no estômago a ser sentido em suaves prestações, 48 horas depois.
Pra acordar é preciso estar dormindo.  Quase meio dia e ainda encaro fixamente a porta aberta, é como olhar pra trás, e lembrar da nossa história fadada ao afastamento. Assim como tudo na vida, eventualmente, acaba bem. And I know that I'll be happier. Como na música que eu ousei dizer ser nossa. Parece que não estávamos tão errados.
As lágrimas que escorrem pelo meu rosto hoje não voltarão a te tirar o sono amanhã. E não vamos aqui trabalhar esteriótipos de culpa ou falsas promessas de pra sempre. O sofrimento é cláusula leonina em qualquer caso, sem desculpas, é sob a …

Metonímias e Aliterações

Passeio pelas estações ouvindo grunhidos repetitivos semi nocivos, até que me pego cantarolando trechos de uma música qualquer daquela dupla pop que ninguém lembra o nome, o rosto, ou a poesia, não que fizesse alguma diferença. Hoje eu acordei olhei no espelho e não me vi. Horas a fio, o celular ferve por entre as mãos, silencioso e inquieto. Ensaiei centenas de maneiras de dizer um simples Hello, i want you let me jump in your play, mas me perdoe se eu não sei jogar, ou se talvez o saiba além das regras que insisto em (não) quebrar. Um joguinho é até divertido quando você está por perto. Penso que irei dobrá-lo, deixar me bater, vamos lá, querido, fique mais um pouco. I'll get him hot, show him what I've got. Revezo em encarar aqueles olhos, desejar aquela boca, e decifrar todos os teoremas fundamentais do universo. E daí que minh'alma segue num loop involuntário, divagando em diferentes infinitos... 
I need a hit, baby gimme it, it's dangerous I'm loving it, balb…

Alumínio

Sou desses que ousa dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi calar. Enquadro em palavras e esquadrias fragmentos de absurdo abafados, suspirando os abusos. Nadando contra-corrente, incoerente, metendo os pés pelas mãos. Um. Dois. Três. Olhe bem para trás, e sem pensar em nada, pense no que realmente importa. Jogado no campo, fitando seus olhos, pergunto baixinho o que se ouve quando todos os ruídos calam? Quantas teses e antíteses nos trouxeram até aqui? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio por entre a sala de jantar, desenho um cigarro no ar, chá entre as pernas, mas algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens de bem, agora habitam nossos silêncios, justo quando o mundo pede um pouco mais de alma. Será que o tempo parou ou a gente que não viu? Nessas noites, desses muitos quere…