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Mostrando postagens de 2015

Metonímias e Aliterações

Passeio pelas estações ouvindo grunhidos repetitivos semi nocivos, até que me pego cantarolando trechos de uma música qualquer daquela dupla pop que ninguém lembra o nome, o rosto, ou a poesia, não que fizesse alguma diferença. Hoje eu acordei olhei no espelho e não me vi. Horas a fio, o celular ferve por entre as mãos, silencioso e inquieto. Ensaiei centenas de maneiras de dizer um simples Hello, i want you let me jump in your play, mas me perdoe se eu não sei jogar, ou se talvez o saiba além das regras que insisto em (não) quebrar. Um joguinho é até divertido quando você está por perto. Penso que irei dobrá-lo, deixar me bater, vamos lá, querido, fique mais um pouco. I'll get him hot, show him what I've got. Revezo em encarar aqueles olhos, desejar aquela boca, e decifrar todos os teoremas fundamentais do universo. E daí que minh'alma segue num loop involuntário, divagando em diferentes infinitos... 
I need a hit, baby gimme it, it's dangerous I'm loving it, balb…

Sobre meias e palavras

Sobre tudo, nada mais tenho a dizer. Se me olhar nos olhos vai poder enxergar a linha, tênue, frouxa, entre o desalento e o irremediável. Sobre as páginas borradas, entrelinhas desenhando delírios em forma de confissões, paranóias aceleradas. Os anos passam por entre os dedos, a caneta rola por entre os lábios. Mais um verão em que escrevo para me manter vivo. Tormenta após tormenta, as palavras não são as mesmas, os propósitos tampouco. A proposito e sem propósito, de propósito fingimos entender. Ou todo o inverso ínfimo do que (não) foi dito. Escrevo para matar. Não quero fazer sentido. Não sou escritor, não sou poeta. Como uma criança lançando palavras ao vento, espalho areia sobre o mar.  Escrevo para não esquecer. Apenas perdoe meus neologismos e desaforismos, minhas entrelinhas, e toda a metalinguagem. Deixo o verão pra mais tarde, e até lá vou me desdobrando ao entorno. Gravado a esmo.

Domingo

A rotina se repete, sem espaços em branco, nem enxertos. Domingos são sempre os mesmos. Polaroides das semanas passadas, tons pastéis banhados em saudades do futuro, cirandas, cachimbos, adedanhas e gnomos. É fantástico. A porta se abre e se fecha sem que você entre, sem que nada aconteça. E as possibilidades de darmos valor a este vazio híbrido tem a voracidade de uma manhã de segunda, reverberando as filosofias de quinta, lançadas à mesa na sexta sob a luz de uma constelação solitária. Já/Ainda é domingo, quase segunda, mas desta vez não seremos psicóticos em abafar pensamentos traiçoeiros que inundam nossos lençóis. Do lado de dentro, imagino a mesma cena refletida, remontada, dois corpos lançados a esmo, uma xícara de chá, ou duas, uma voz, ou duas, um caderno, ou dois, um jardim, ou dois. Nós dois. Entre nós. Nós. Geralmente me permito tais sentimentalismos baratos, desorquestrados, mas não nesta cena. Não me perdoe os clichês, jogado no sereno, escrevendo devaneios. Não durará, …

Bacon

Você me pede outra história baseada em fatos reais. Dou de ombros e finjo não reparar no sorriso encabulado que me escapa pelas beiradas do rosto. Nem bem chegastes, e querendo tudo, revira as gavetas, rabisca as paredes, me toma o lençol, rasga o silêncio, faz-se dono. E eu que pensava ser todo meu. - O que você quer? - Brócolis com bacon. Gira os braços, aperta os lábios, e enquanto finge não me ver, aumenta o rádio, acompanha os desenhos que o som rabisca na brisa fria de abril, e acende o farol. A rua ao redor acompanha os movimentos dos nossos dedos, como marionetes enfeitadas, bonecos de ventríloquo. Movimentos randômicos nos dão um quê excêntrico. Você esboça uma tentativa tosca e preguiçosa de evadir-se. Te seguro pelas mangas, arranho tua nuca, suspiro quase em oração.
- Fica!
- Que?
- Quero que você fique. - Por que? - Porque sim.
- Porque sim, não é resposta. - Não posso. - Por que? - Porque não. - Porque não, não é resposta.
As horas se calam e caminham sem que estejamos presen…

Balada do Amor de um Homem Só

Ensaiei infinitas formas de calar o silêncio que se implantou entre nós desde o segundo suspiro, o último. Não é de se estranhar que talvez estranhes meu estranhamento, nós estamos exatamente onde deveríamos, disse em voz alta sem nenhuma noção de tempo, lugar e espaço. Me vi desdobrado em versos, prosas e poesias, numa sinfonia de ruídos inocentes, sinto que deveria desenhar minhas unhas no quadro negro, ao menos uma última vez. E antes de te ver partir, me dilacerar a ponto de escancarar até o último centímetro de alma. Não fui capaz. Das últimas horas você foi meu melhor e meu pior. Eu fui teu céu e teu inferno. Hoje não passamos de retratos recortados de um passado, desde sempre, sem futuro. Atravessamos a rua na tentativa vã de esconder o que foi deixado pra trás. Dizem que nesta vida somos capazes de amar até duas vezes, você foi meu último tiro, o mais alto. Me esforço pra não esquecer tua voz, teu sorriso, tuas manias. Teus pontos e vírgulas e exclamações. Teus olhos cheios d…