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Balada do Amor de um Homem Só


Ensaiei infinitas formas de calar o silêncio que se implantou entre nós desde o segundo suspiro, o último. Não é de se estranhar que talvez estranhes meu estranhamento, nós estamos exatamente onde deveríamos, disse em voz alta sem nenhuma noção de tempo, lugar e espaço. Me vi desdobrado em versos, prosas e poesias, numa sinfonia de ruídos inocentes, sinto que deveria desenhar minhas unhas no quadro negro, ao menos uma última vez. E antes de te ver partir, me dilacerar a ponto de escancarar até o último centímetro de alma. Não fui capaz. Das últimas horas você foi meu melhor e meu pior. Eu fui teu céu e teu inferno. Hoje não passamos de retratos recortados de um passado, desde sempre, sem futuro. Atravessamos a rua na tentativa vã de esconder o que foi deixado pra trás. Dizem que nesta vida somos capazes de amar até duas vezes, você foi meu último tiro, o mais alto. Me esforço pra não esquecer tua voz, teu sorriso, tuas manias. Teus pontos e vírgulas e exclamações. Teus olhos cheios de interrogações. Suas reticências. Fecho os olhos em busca de mais um minuto, um beijo de boa noite, um novo apocalipse. Talvez você insista em não lembrar, desculpa, uma última vez, eu só precisava saber quanto durará este último suspiro.

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