Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Março, 2015

Sobre meias e palavras

Sobre tudo, nada mais tenho a dizer. Se me olhar nos olhos vai poder enxergar a linha, tênue, frouxa, entre o desalento e o irremediável. Sobre as páginas borradas, entrelinhas desenhando delírios em forma de confissões, paranóias aceleradas. Os anos passam por entre os dedos, a caneta rola por entre os lábios. Mais um verão em que escrevo para me manter vivo. Tormenta após tormenta, as palavras não são as mesmas, os propósitos tampouco. A proposito e sem propósito, de propósito fingimos entender. Ou todo o inverso ínfimo do que (não) foi dito. Escrevo para matar. Não quero fazer sentido. Não sou escritor, não sou poeta. Como uma criança lançando palavras ao vento, espalho areia sobre o mar.  Escrevo para não esquecer. Apenas perdoe meus neologismos e desaforismos, minhas entrelinhas, e toda a metalinguagem. Deixo o verão pra mais tarde, e até lá vou me desdobrando ao entorno. Gravado a esmo.

Domingo

A rotina se repete, sem espaços em branco, nem enxertos. Domingos são sempre os mesmos. Polaroides das semanas passadas, tons pastéis banhados em saudades do futuro, cirandas, cachimbos, adedanhas e gnomos. É fantástico. A porta se abre e se fecha sem que você entre, sem que nada aconteça. E as possibilidades de darmos valor a este vazio híbrido tem a voracidade de uma manhã de segunda, reverberando as filosofias de quinta, lançadas à mesa na sexta sob a luz de uma constelação solitária. Já/Ainda é domingo, quase segunda, mas desta vez não seremos psicóticos em abafar pensamentos traiçoeiros que inundam nossos lençóis. Do lado de dentro, imagino a mesma cena refletida, remontada, dois corpos lançados a esmo, uma xícara de chá, ou duas, uma voz, ou duas, um caderno, ou dois, um jardim, ou dois. Nós dois. Entre nós. Nós. Geralmente me permito tais sentimentalismos baratos, desorquestrados, mas não nesta cena. Não me perdoe os clichês, jogado no sereno, escrevendo devaneios. Não durará, …