Pular para o conteúdo principal

Domingo


A rotina se repete, sem espaços em branco, nem enxertos. Domingos são sempre os mesmos. Polaroides das semanas passadas, tons pastéis banhados em saudades do futuro, cirandas, cachimbos, adedanhas e gnomos. É fantástico. A porta se abre e se fecha sem que você entre, sem que nada aconteça. E as possibilidades de darmos valor a este vazio híbrido tem a voracidade de uma manhã de segunda, reverberando as filosofias de quinta, lançadas à mesa na sexta sob a luz de uma constelação solitária. Já/Ainda é domingo, quase segunda, mas desta vez não seremos psicóticos em abafar pensamentos traiçoeiros que inundam nossos lençóis. Do lado de dentro, imagino a mesma cena refletida, remontada, dois corpos lançados a esmo, uma xícara de chá, ou duas, uma voz, ou duas, um caderno, ou dois, um jardim, ou dois. Nós dois. Entre nós. Nós. Geralmente me permito tais sentimentalismos baratos, desorquestrados, mas não nesta cena. Não me perdoe os clichês, jogado no sereno, escrevendo devaneios. Não durará, as orações são mais fortes, mais altas, mais bravas. Porém, não trabalho com hipóteses. O natal ainda tarda a chegar. Por descuido ou poesia, sem ressalvas em voltar a me decepcionar. Um último pedido antes de fechar os olhos e partir: traga o mundo mais perto de onde quer chegar. Abre e fecha aspas. Hoje as palavras dão preguiça e dispersão. Eu escrevo pra alguém que não lê.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mônica

Hoje foi não foi um dia fácil, corri meio sem rumo, desacreditado, honrando compromissos que não pareciam se encaixar, seguindo o fluxo, deixando me levar. Fiz mais do que pude, falei mais do que sei, o tal peso da vida adulta. Já passa das 11, poderia escrever que estou sentado num sofá de couro, as luzes da cidade sobre mim, uma taça de vinho repousando sobre minhas pernas, uma fotografia perfeita para textos perfeitos. Mas minhas polaroides são borradas. Estou rencostado meio de lado, as costas doem, virei chácaras de café, relutante em dormir por essa noite, e te encontrar outra vez. Não vou mentir das vezes que pensei em você, das muitas vezes que meu coração saltou garganta afora ou ver seu nome cintilando no vidro fosco, e todo o circo que armei tentando agradar. Eu não sei onde quero chegar. Existe uma vida antes e outras dez depois de nós, ainda assim você não sai do meu sentimento. Ah, piegas, coisa de escritor romântico, que busca palavras bonitas para o ser amado. Coisa n…

Começo, meio, fim, e o mais importante... recomeço!

Quando me disseram que a vida de universitário seria difícil, eu não quis acreditar, imaginei mais que fosse esse tipo de história que os veteranos contam pra por medo nos calouros, como eu, quando diziam todos os contras e os prós de uma universidade pública, em minha mentalidade imatura, pensei que estes últimos não eram suficientemente convincentes para superar os primeiros, mas com o tempo a gente acaba percebendo que um "UF" vale mais que muita coisa, mas esse não é o foco principal (agora).
Pra ser honesto creio que a história deve ser narrada desde o início, pelos menos do início que realmente valha a pena contar... 2008 foi meu último ano na escola, um momento onde se destacam dois tipos de alunos, aqueles que querem aproveitar ao máximo o momento, e aqueles que não vêem a hora de tudo acabar, e eu? como sempre revesava entre as duas vertentes. Em meio a tudo isso um fantasma se aproximava cada vez mais, o vestibular, se bem que pior do que a prova em si era a idéia …

Metonímias e Aliterações

Passeio pelas estações ouvindo grunhidos repetitivos semi nocivos, até que me pego cantarolando trechos de uma música qualquer daquela dupla pop que ninguém lembra o nome, o rosto, ou a poesia, não que fizesse alguma diferença. Hoje eu acordei olhei no espelho e não me vi. Horas a fio, o celular ferve por entre as mãos, silencioso e inquieto. Ensaiei centenas de maneiras de dizer um simples Hello, i want you let me jump in your play, mas me perdoe se eu não sei jogar, ou se talvez o saiba além das regras que insisto em (não) quebrar. Um joguinho é até divertido quando você está por perto. Penso que irei dobrá-lo, deixar me bater, vamos lá, querido, fique mais um pouco. I'll get him hot, show him what I've got. Revezo em encarar aqueles olhos, desejar aquela boca, e decifrar todos os teoremas fundamentais do universo. E daí que minh'alma segue num loop involuntário, divagando em diferentes infinitos... 
I need a hit, baby gimme it, it's dangerous I'm loving it, balb…