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Mostrando postagens de 2016

Gatilho

Aí está a história de um homem. Era uma história muito engraçada, não tinha enredo, não tinha nada. Um homem que a única certeza que tinha era as incertezas que o movia, perguntas sem resposta, inseguranças sem razão. E seu maior medo, a falta de certeza, não ter razão. Queria voar sem tirar os pés do chão. Ver além, através. Colher certezas, ouvi-las. Por isso ele andava. Caminhava pelos dias, passeava pelas horas, via o que não se vê, de olhos bem abertos, dizia o que não devia ser dito, sentia o indizível, se acreditava impossível. Tanto quanto impulsivo, expansível, imprevisível. Dava a cara a tapa. A cara, a face, a outra, o corpo, a alma e o coração. De tanto apanhar perdeu o medo. Doer, doía, mas fazia parte. Se atirava em cataratas, enquanto buscava o tédio das águas mansas. Falava de si com a destreza de um bom conhecedor. Falava. Falava quando só precisava ouvir. Buscava. Devoto de Nosso Senhor Jesus Crítico, se dizia too cool, e se morria e se matava a cada novo soluço. Nã…

Alumínio

Sou desses que ousa dizer todas as coisas indizíveis das quais já ouvi calar. Enquadro em palavras e esquadrias fragmentos de absurdo abafados, suspirando os abusos. Nadando contra-corrente, incoerente, metendo os pés pelas mãos. Um. Dois. Três. Olhe bem para trás, e sem pensar em nada, pense no que realmente importa. Jogado no campo, fitando seus olhos, pergunto baixinho o que se ouve quando todos os ruídos calam? Quantas teses e antíteses nos trouxeram até aqui? Quantos poréns, mas, entre tantos sins e nãos, entre tantos lençóis. Desfilo em silêncio por entre a sala de jantar, desenho um cigarro no ar, chá entre as pernas, mas algo me escapa. Quão além da superfície se pode ir sem respirar? E quando tudo não passa de um segundo, quanto tempo sobra de tudo? Todas as minhas filosofias baratas, ignoradas pelos homens de bem, agora habitam nossos silêncios, justo quando o mundo pede um pouco mais de alma. Será que o tempo parou ou a gente que não viu? Nessas noites, desses muitos quere…

Vitamina C

Há muito minha especialidade pareceu revisitar o passado, vasculhar antigas entrelinhas em busca de algo que passou despercebido, algo que não foi dito, mas que ali estava.
Há muito tentei esquecer e me forcei a lembrar, tarefas tolas demais para homens como nós, venhamos e convenhamos, sem falsas modéstias, deixamos as eiras e beiras de lado.
Há muito não te conto por onde andei, as bocas que beijei, os corpos que tomei, daqueles que fui, ou que mais ou menos fingi ser. Nem bem posso dizer que me cansei dessa vida fugaz, precisaria de mais uns bons punhados de juventude para cansar e descansar. Imagino sua cara de zombaria, ora pois, somo tão jovens, as rugas que adornam nossa cara os cabelos brancos que decoram nossa barba, são meras lembranças de que o tempo não para, Cazuza, em algo devia de ter razão.
Me peguei por esses dias, em meio a reflexões de liquidificador, remoendo velharias, antigos remorsos, velhos hábitos, promessas não cumpridas do réveillon de 2006. Encontrei você …