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Mônica

Hoje foi não foi um dia fácil, corri meio sem rumo, desacreditado, honrando compromissos que não pareciam se encaixar, seguindo o fluxo, deixando me levar. Fiz mais do que pude, falei mais do que sei, o tal peso da vida adulta. Já passa das 11, poderia escrever que estou sentado num sofá de couro, as luzes da cidade sobre mim, uma taça de vinho repousando sobre minhas pernas, uma fotografia perfeita para textos perfeitos. Mas minhas polaroides são borradas. Estou rencostado meio de lado, as costas doem, virei chácaras de café, relutante em dormir por essa noite, e te encontrar outra vez. Não vou mentir das vezes que pensei em você, das muitas vezes que meu coração saltou garganta afora ou ver seu nome cintilando no vidro fosco, e todo o circo que armei tentando agradar. Eu não sei onde quero chegar. Existe uma vida antes e outras dez depois de nós, ainda assim você não sai do meu sentimento. Ah, piegas, coisa de escritor romântico, que busca palavras bonitas para o ser amado. Coisa nenhuma. Tenho às mãos uma série de redemoinhos, peças deslocadas de um quebra cabeça ilógico, fatos que põem a prova o amor que eu acreditei sentir, sei lá, será? Nem você sabe, nem deveria. Uma série de nuvens pairam sobre o céu, afastem todas as metáforas de mim, é apenas um céu nublado indicando uma madrugada indecisa. Das tantas canções que embalam meu sono agitado, de todas acordo lembrando você. E o sabor de alho e óleo que aprendi a apreciar, junto às nossas cervejas em plena quarta feira. É divertido dançar com você. Mas deixa eu escolher a música, essas paredes apanharam demais pra tolerar frações desleixadas de um amor qualquer em busca do momento perfeito. É apenas divertido brincar com as possibilidades do seu texto, enquanto você franze a testa sem entender minhas metonímias e aliterações, meus parágrafos repletos de referências e reticências. Você faz que entende, todo desentendido, me tem, e se diverte com as verdades que criou pra si. Dou de ombros e sorriu pras estrelas escondidas entre aviões. Consegue ouvir? Eu não teria vocação para apenas mais uma foda, mesmo que nossas mensagens trocadas na alta madrugada apontem às avessas. Ainda que eu saiba onde você mora, entre rampas e florestas, e espreite a luz do seu apartamento dia sim, dia também. Caberia mais um perdão no texto, meras firulas linguísticas. Isso é o que o amor faz, encontra o erro.

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